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O parto!


O dia amanheceu como qualquer outro. Eram 8:15 quando saímos de casa de malas feitas.
Lá dentro iam peças rigorosamente escolhidas e devidamente etiquetadas, como primeira e segunda roupa, consoante a hora do nascimento.
Desta vez não quis ir pela garagem do prédio, preferi esperar por ele lá fora para conseguir assim sentir a brisa matinal que devagar ia-me despertando e energizando para o resto do dia...O Dia!
Chegámos ao hospital Beatriz Ângelo às 8:30, qual pontualidade britânica. O coração batia forte, não sabia bem o que me esperava... Há muito que não sentia tamanho nervosismo. Tirámos a senha e aguardámos. Durante estes curtos segundos de espera, relembro-me da consulta do dia anterior, a última consulta pré-natal, onde a médica foi-me dando os últimos conselhos antes do parto e organizando os últimos detalhes para o meu internamento.
Esperava-me um parto induzido às 39 semanas e 1 dia.
O internamento em si foi relativamente rápido. Fiquei num quarto sozinha e a primeira hora foi para me ambientar. A enfermeira chefe explicou-me todos os passos do processo da indução, que basicamente consistia num comprimido vaginal de 6 em 6 horas (com vigilância médica) e que, eventualmente, iria provocar o trabalho de parto.
Durante as primeiras 6 horas iria fazer um CTG de mais ou menos 2 horas e o resto do tempo poderia aproveitar para caminhar pelo hospital, para assim agilizar as contracções.
Comprimido tomado às 11 da manhã, início das contracções a darem o ar da sua graça por volta das 15:00!
Às 17:30 a médica bate à porta do meu quarto e pede ao maridão para sair. Faz-me mais um traumatizante toque vaginal e afirma: "Vamos para o bloco de partos!"
Tomei um banho quente para aliviar as dores e tentar acalmar o nervosismo. Tinha chegado o momento! O momento pelo qual tanto ansiava desde
5 de Julho de 2016...iria finalmente ver-te.
Dou entrada no quarto 5 do bloco de partos às 18:50 e às 19:15 senti a dor mais agonizante de todo o trabalho de parto, que curiosamente coincidiu com o rebentamento das águas.
Aproveitando as maravilhas da medicina moderna pedi logo a epidural e, no meio de tanto entusiasmo, nervosismo, cansaço, felicidade e expectativa...adormeci! Uns bons 30 minutos que fizeram maravilhas para o que aí vinha a seguir.
Acordei com uma dor forte que se repetiu por mais três vezes, antes de eu pedir uma segunda dose da epidural. Ele sempre ao meu lado, recordando-me as respirações ensinadas durante o curso pré-parto.
Às 21:15 ouvi-te pela primeira vez! O choro mais reconfortante! Aquele que indica que estás bem! No segundo seguinte sinto-te pela primeira vez! O contacto de pele com pele! Mais um segundo e vejo-te!
Tornei-me mãe...ele tornou-se pai! O mundo parou...naqueles breves instantes eramos só nós os 3!
Não há volta a dar, não queremos dar a volta, aquele ser minúsculo que saiu de dentro de mim é o nosso maior tesouro, o símbolo do nosso amor, algo pelo qual ansiávamos há imenso tempo.
Já não precisávamos de imaginar a cara, expressões, ela estava ali à nossa frente...a nossa filha.
Naquele instante no nosso pequeno mundo a perfeição tinha acabado de se traduzir num nome...e o seu nome é MATILDE!


A Matilde nasceu a 18 de Fevereiro de 2017 às 21:15 com 2690 kgs e 45.5 cm e é a luz das nossas vidas!


 Artigo originalmente publicado em www.theoofdiary.com