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O meu filho não come e agora…


Uma coisa que aprendi com a introdução alimentar do Rodrigo, há 5 anos, foi que a palavra-chave é: paciência.
Contrariando todas as minhas expectativas, a introdução de sólidos na alimentação do meu filho foi um processo complexo e frustrante. Quando fez seis meses começamos por tentar introduzir novos alimentos na sua dieta, optávamos por colocá-los à sua frente e esperávamos que os explorasse livremente e eventualmente os levasse à boca. Contudo, ele ignorava-os por completo e quando tentávamos dar-lhe à boca ele rejeitava-os, afastava tudo com as suas mãozinhas e mantinha a sua boca bem cerrada. Era uma verdadeira “guerra”.
O meu filho não tinha qualquer interesse na comida sólida, apenas comia a sopa e fruta passada. Durante algum tempo insistimos e continuámos em insistir, mas independentemente de todos os nossos esforços, o tempo passava e a aceitação continuava a ser nula – não aceitava um único alimento sólido! Desesperada, optei por procurar ajuda, recorri a livros, falei com várias amigas e fui a alguns especialistas.
Numa das consultas, ouvi algo que funcionou como um despertar da minha consciência de mãe – “a mãe está com mais problemas que o seu filho, a seu tempo ele irá comer”. Confesso que a minha ansiedade poderá ter funcionado contra nós, mas existia também uma hipersensibilidade sensorial que o fazia rejeitar novas texturas. Seguindo indicações médicas iniciamos um conjunto de sessões de terapia ocupacional com o intuito de o ajudar a ultrapassar esta barreira. E assim foi, com a ajuda das sessões e dando tempo ao tempo, jamais esquecerei o dia em que o Rodrigo por iniciativa própria agarrou num pedaço de maçã e o comeu sozinho, mais do que o ver comer, saciei-me com a sua satisfação! Tinha quase dois anos, mas independentemente disso, aquele era o timing dele.
Como cada criança é uma criança, o meu filho mais novo devora tudo desde os 6 meses e veio confirmar a célebre frase da nossa querida pediatra: “há crianças que comem para viver e outras que vivem para comer”.

Moral da história… aprendi que é tudo uma questão de tempo e que cada criança tem o seu marco de desenvolvimento seja em que área for. Temos que ser pacientes e não deixar que o meio social nos influencie em demasiado. Aprendi a filtrar os comentários de pessoas que não conhecendo o contexto do meu filho ou que por falta de sensibilidade teciam comentários menos positivos quando se apercebiam que o meu filho ainda não comia qualquer tipo de sólido com uma idade, segundo elas, já avançada.


Deixo aqui algumas dicas para a introdução alimentar que possam vir a ser úteis para todas:

A idade ideal para a introdução alimentar é a partir dos seis meses, mas pode variar de criança para criança. Respeitem o tempo de adaptação do vosso filho, fiquem tranquilas a seu tempo ele vai comer.

Os bebés devem ser incentivados a mastigar desde cedo. De início a comida deve ser somente amassada com o garfo, adicionalmente podem optar por alimentos bem cozidos e macios em pedaços, (com o Vicente, os legumes cozidos a vapor foram um sucesso).

Na fase de introdução aos sólidos estejam SEMPRE por perto quando o seu filho estiver a comer.
Ofereçam pequenas quantidades de comida de cada vez.

Nunca forcem o vosso filho a comer. Tentem perceber qual o motivo da rejeição – pode ser um fator momentâneo (cansaço, doença, dentição, aftas) ou algo mais de fundo (por exemplo a hipersensibilidade).

Deixem o vosso bebé explorar livremente! Crianças que se sujam comem melhor e criam uma relação mais positiva com os alimentos. Deixem os alimentos ao alcance do seu filho para que ele pegue com as suas próprias mãozinhas.

Tentem que o momento da refeição seja um momento em família, em que todos se encontram à mesa ao mesmo tempo.

Não se culpem se o vosso filho não comer no primeiro dia, ou no segundo, ou no décimo. Ele está a explorar este novo mundo. Quanto mais variedade lhe oferecer, mais rica será esta experiência e de um dia para o outro ele começará a comer.

Por fim, não dêem importância aos comentários dos outros, esses palpites só servem para nos deixar mais angustiadas e mais confusas. Não comparem o vosso filho com os dos outros porque as crianças são únicas e todas diferentes. Confiem em vocês e no vosso sexto sentido de mãe e acreditem que vai tudo correr bem.