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Deixem-nos voar!

Ano após ano surge este tema numa reunião de pais, seja em pais de meninos mais pequeninos ou do 1º ciclo. Esta talvez seja a área onde os pais precisam de mais ajuda e onde tenho feito questão de ajudar, pois conhecem-se logo efeitos a partir do momento em que se muda de atitude. Falo-vos da autonomia.

Entendo que, muitas vezes, acabamos por fazer as coisas pelos nossos filhos ou porque achamos que (ainda) não são capazes ou porque, para nós, ainda não chegou a altura ou simplesmente porque é mais fácil e mais rápido. Pára tudo! Está na altura de fazerem um rewind no crescimento do(a) vosso(a) filho(a), refletir e tomar uma decisão: quero continuar a protegê-lo ou quero ensiná-lo a voar? Quero mantê-lo numa redoma ou quero dar-lhe as ferramentas necessárias para se lançar sozinho, para ser autónomo?
A autonomia não serve apenas o propósito de os fazer ver que conseguem fazer o que seja sozinhos mas serve, sobretudo, para lhes dar confiança, para fazer com que acreditem, verdadeiramente, que são capazes. E, quando assim é, nada os faz parar. É vê-los a resolverem problemas entre pares e dentro do grande grupo, é vê-los de dedo no ar para colocar dúvidas (sem qualquer receio do que o professor ou os colegas poderão dizer), é vê-los com sentido crítico perante uma qualquer discussão…no fundo, é vê-los autoconfiantes, é vê-los felizes!  
Esta confiança que lhes vamos dando pode e deve ser trabalhada logo desde pequeninos pois irá ter, ao longo do tempo, repercussões no comportamento e na personalidade dos vossos filhos. Ainda em bebés deixem que se limpem no momento do desfralde; que carreguem um ou outro brinquedo na praia; que tentem abrir o iogurte ou colocar a palhinha no pacote de leite; que se dispam na hora do banho; que lavem as mãos e os dentes sozinhos (vocês dão um jeito no fim); que arrumem os brinquedos antes de ir para a cama e que possam acender a luz de presença.
Mais tarde, já no jardim de infância, deixem que coloquem a roupa e as sapatilhas no saco da ginástica; que carreguem a sua mini mochila; que tentem vestir-se sozinhos; que vão sozinhos à casa de banho; que puxem os lençóis da cama para cima (a ideia não é que a cama fique impecável, é que ganhem, progressivamente, a noção de responsabilidade, autonomia e arrumação).
Já no 1º ciclo (fase essencial no crescimento dos vossos filhos) a tarefa é mais desafiante e a vontade de “fazer por eles é bastante maior” mas, por favor, não cedam à tentação! Deixem-nos escolher a mochila (dentro de 2 ou 3 opções dadas por vós), organizem a mochila com os vossos filhos colocando os livros e cadernos para o dia seguinte seguindo o horário afixado por vós no quarto; deem-lhes tempo para fazer os trabalhos de casa sozinhos (30 a 40 minutos, não mais) supervisionando apenas no final; peçam ajuda nas tarefas domésticas (lavar a loiça, lavar legumes, pôr a mesa, colocar a loiça suja na máquina, arrumar as compras…). Na altura dos testes, orientem-nos apenas nas primeiras vezes, selecionando o que têm que estudar e orientando nos exercícios de revisão.

Estas são algumas coisas que poderão fazer mas há muitas mais! Vá lá, o difícil é começar. Assim que começarem a ver resultados, garanto-vos que não vão querer voltar atrás!