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Auto-Estima Parte 2 - Como podemos ajudar a desenvolver uma forte auto-estima nos nossos filhos

(podes ler uma introdução a este tema neste artigo já publicado)

1. Gostando deles exatamente como são - e mostrando-lhes isso mesmo.
Ninguém duvida que os pais sentem amor incondicional pelos seus filhos. E, por certo, que o demonstramos muitas vezes. Mas outras — sobretudo em situações de desafio ou conflito — os nossos comportamentos e palavras podem ressoar na criança como sendo um “amor condicional” ou um estado de “sem amor”. Quando a criança é pequenina não distingue o comportamento dela própria. Por isso é tão importante, mesmo a impor os nossos limites, a gerir uma “birra”, ou num frente a frente com um comportamento com o qual não concordamos, não gritar, não bater, não usar cinismo ou palavras-dardo, não ameaçar, não ignorar, não castigar - ou seja, evitar tudo que seja entendido como “não gosta de mim” ou “não gosta de mim quando… me porto mal”.

2. Deixando-os serem autênticos e viver em verdade
Demonstrar confiança nas nossas crianças é uma maneira de lhes incutir uma noção de valor intrínseco, de promover a noção de autonomia, de não dependência dos outros ( hoje de nós, amanhã…) de lhes incutir um sentimento de capacidade e de tranquilidade em relação aos desafios e ao seu desenvolvimento. Promove também que se sintam úteis, parte integrante de um núcleo de pessoas. Mostra respeito e segurança — um dia mais tarde ela encontrará respeito e segurança nela própria.
É importante ter em mente que o processo de confiar envolve algum risco — ajudá-la a percecionar esse risco ou alguma eventual falha, tombo como parte do processo e, embora reconhecendo as emoções envolvidas, continuar a confiar.

3. Sermos menos elogiadores e mais testemunhas das suas caracteristicas
Nas tais correntes que olham para a auto-estima sob a lupa da auto-confiança dá-se muito valor ao reforço positivo, ao elogio, ao louvor.
Mas uma criança que cresce num ambiente de elogios “ocos” ( “és tão inteligente, que bem que desenhas, és mesmo bom”) ou reconhecida apenas quando consegue algo ( uma boa nota, passar no exame de ballet, quando se porta bem, etc) fica dependente dessa validação externa para se sentir bem consigo própria. Entramos no ciclo do amor condicional — só me valorizam, só gostam de mim, quando consigo , tenho, algo.
Aprendemos a correr atrás da cenoura. A depender da motivação externa, sem olhar para o que nos faz feliz de verdade, não desenvolve a ética e um código de valores próprio.
Assim, podemos reconhecer em vez de elogiar.
Podemos dizer: “obrigada por teres posto hoje a mesa. Foi uma grande ajuda para mim.” Podemos mostrar um interesse grande pelo seu desenho, querer saber porque usou aquela cor, o que representa aquele traço, sem julgar, sem avaliar. Na natação, quando nos chama para o vermos mergulhar em vez do “boa! que bem que nadas”dizer apenas “estou a ver-te. Estás a divertir-te, ah?

4. Não os julgando arduamente
Conseguirmos aceitar as nossas crianças como elas realmente são. Sem expectativas. Mostrar-lhes que está tudo bem com elas. Que não têm de mudar nada para serem especiais ou aceites aos nossos olhos.
Aceitar as suas qualidades como os seus aspetos com os quais não nos reconhecemos — ou que reconhecemos como menos bons, porque são diferentes de nós ou embatem em crenças que temos sobre como deveria ser.
Aceitar que a realidade é o que é. Aceitar as suas emoções fortes, os seus momentos menos felizes ou agradáveis, sem julgar. Antes amparando e buscando uma saída em conjunto.

5. Sermos verdadeiramente Presentes
E por fim, a Presença. Estar com a criança de uma forma plena e inteira, aprendendo com ela, respeitando o seu tempo, ouvindo-a, dedicados a ela — se só poder ser durante quinze minutos, não faz mal. Sem interferências, sem telemóveis ou mil preocupações na cabeça. Parece o mais simples e é tantas vezes o mais difícil de conseguirmos.