0

Auto-Estima Parte 1 - O que é na verdade ter auto-estima?

A verdade é que a mesma palavra parece ter significados muito diferentes para diferentes pessoas, autores, psicólogos e investigadores.
Há uma abordagem que nos fala da auto-estima na ótica da auto-confiança: acreditar em si próprio, valorizar as suas qualidades, confiar nas próprias capacidades, ser afirmativo, sentir-se à vontade em determinadas áreas da vida.Uma corrente mais recente diferencia os conceitos e aproxima a auto-estima de um outro conceito que é a auto-compaixão.
Esta auto-estima tem a ver com gostar de nós, exatamente como somos ( o significado de estima no dicionário é gostar de, ter apreço por, de uma forma desinteressada, muito natural). E é este olhar de apreço para nós mesmos, de aceitação em relação ao que somos que me parece ser realmente poderoso.
Esta auto-estima tem pouco a ver com o ego fortalecido, ser convencido ou, aparentemente, muito seguro de si. Tem a ver com gostarmos de nós exatamente como somos. Com todas as nossas características. Reconhecer o que temos que pode ser inclusivamente melhorado ou trabalhado. Olhar para as nossas falhas, erros, enganos, deficiências com bondade e compreensão, aceitando que somos humanos — não temos de ser os melhores, de estar sempre no topo da montanha. Mesmo quando estamos no fundo do poço, quando ouvimos uma crítica, quando não atingimos uma meta, não alcançamos um objetivo ou falhamos um alvo não nos julgamos arduamente, não nos sentimos menos por isso.Significa termos uma noção mais realista das nossas capacidades e ações, e perceber o que podemos fazer diferente, o que leva a não ter medo de desafios, de mudar.
Leva a não precisar de ter sempre razão ou de atingir determinados “patamares” para nos sentirmos bem. A não precisar de usar uma máscara para parecermos perfeitos mas sim a podermos ser autênticos e viver em verdade, o que gera níveis elevados de bem estar e felicidade, mesmo nos momentos mais dificeis e a menos depressões e ansiedade a lidar com situações desafiantes.
Não sentimos que o nosso valor como seres humanos dignos de ser amados e respeitados esteja nunca em causa e por isso jamais seremos vítimas.
Precisamos muito menos da aprovação dos outros ou de viver em função do olhar dos outros, mas por outro lado desenvolvemos o sentimento de pertença e conexão com as outras pessoas, não havendo lugar para sentimentos de superioridade, agressividade ou defesa e por isso jamais seremos agressores.

De onde vem a auto-estima?

Todos nascemos com a semente da auto-estima, embora seja fácil ela não ser regada e cuidada, seja frequente não lhe dar solo fértil para que cresca e se desenvolva convenientemente.
Muitos dos comportamentos e forma de comunicar, dos pais podem atrofiá-la. A sociedade atual pode ser uma máquina em envenená-la se ela já de si for fraca e por isso recai sobre cada família, uma responsabilidade grande. Amigos, professores, e todos que se vão cruzando connosco, sobretudo nas idades mais precoces, podem ter um efeito positivo no crescimento dessa planta ou não ajudar a que se desenvolva.

Porque, enquanto o nosso cérebro e consciência se desenvolvem, vamos usar as pessoas que são o nosso porto seguro como espelhos de nós próprios. As pessoas de quem dependemos para sobreviver, as pessoas com quem criamos vínculos emocionais serão os nossos guias, os intérpretes do mundo externo e do nosso mundo interno em construção.