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A (nossa) aldeia

Quando o tempo o permite, um dos meus programas favoritos é sair de casa com o meu filho, para atividades ao ar livre em “modo comunidade”. E o que significa para mim o “modo comunidade”?
Significa combinar com amigos (outros pais e os respetivos filhos), programas a pensar nas crianças (e não só) de forma a os nossos filhos convivam entre si, e se divirtam fora do contexto escola.
Nós, os adultos, aproveitamos para estar juntos num ambiente descontraído, enquanto vamos mantendo a atenção ao que se passa com as crianças.
Seja de que ângulo for, só vejo vantagens neste tipo de programas.
Saímos de casa, afastamo-nos por algum tempo dos aparelhos eletrónicos, que cada vez mais tomam conta das nossas vidas. Trocamos ideias e experiências com outros pais, partilhamos problemas e soluções.
Claro que é aprazível para todos, mas o foco são as crianças, porque ao ar livre a liberdade é outra. Podem gritar á vontade, correr á vontade, sujar-se á vontade, e usar a criatividade de uma forma completamente diferente.
Aprendem a partilhar, a interagir com crianças de várias idades e interesses, enriquecendo as suas competências sociais. Mesmo que surjam conflitos, o que é natural, experimentam novas formas resolução muitas vezes de forma autónoma. Para quem tem só um filho como é o meu caso, é de suma importância. E o melhor de tudo isto, é que mesmo divertido!
Eu, nascida e criada numa pequena aldeia do norte, sei muito bem a importância destes momentos. São as recordações das brincadeiras fora de casa, completamente à solta, que ainda se encontram vivas na memória. São elas que ainda hoje me colocam um sorriso aberto na cara. E foram essas experiências que me deram amigos para a vida.
Os nossos filhos precisam disso. E já agora, nós também. Porque é muito bom estar com pessoas que partilham das nossas dúvidas, das nossas angústias e das nossas alegrias. São laços preciosos que nos ajudam a manter a sanidade, nesta rotina diária cada vez mais exigente.
Numa cultura cada vez mais digital, é o contacto humano, as conversas olhos nos olhos que devemos procurar preservar. Porque é isso que verdadeiramente nos enche a alma.
Acredito que se não passarmos isto aos nossos filhos o futuro vai trazer-nos adultos incompletos, emocionalmente imaturos, com dificuldade em se relacionar.

Por isso, sempre que tempo o permitir, levemos as nossas crianças para a praia, para o jardim, ou para o parque. Dizem que é preciso uma aldeia para criar uma criança, se não vivemos numa, pois porque não, criar a nossa própria aldeia de amigos?