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Polaridades e conflitos


Uma pessoa possui milhares de polaridades interligadas e entrelaçadas, todas fundidas umas com as outras, e podem existir “pontos cegos” na consciência que não reconhecem as características negativas. Quando estas últimas se tornam conscientes, podendo até causar sofrimento e rejeição, a abertura em integrá-las na auto-imagem é um sinal significativo de força interior, e trará ferramentas para lidar com o que acontece quando as polaridades negativas vêm ao de cima e geram ansiedade. Uma polaridade negativa pode nunca vir a ser reconhecida pelo próprio e mesmo não manifestada, pela recusa de viver uma determinada memória, ou então pode ser projetada no outro, pois é mais fácil ver o que está mal no outro do que no próprio (raiva, auto-crítica, exigência, …). Precisamos invadir e estar em contacto com as parte de nós que não aprovamos para crescer como pessoas, pois quanto maior é o conhecimento que tenho de mim, mais confortável me sinto comigo.
Uma polaridade comportamental pode já não ser necessária, mas às vezes continua lá por padrão ou hábito. Isto pode ser mudado e trabalhado. Podemos deixar de estar nessa polaridade cristalizada. Enquanto na formação de Terapia Gestalt, um dos exercícios que realizei consistiu em fazer a teatralização das polaridades. É rico descobrir por quais polaridades passei ao longo da vida e quais as mais presentes. Hesitação/determinação, contenção/expansão, generosidade/egoísmo. Metade de mim era contida, ansiosa, assustada, agressiva, complexada, desconfiada, fechada, bloqueada, racional, acelerada. Outra metade de mim era espontânea, determinada, corajosa, carinhosa, assumida, entregue, confiante, expressiva, intuitiva e calma. Ao reconhecer as características menos positivas em mim, comecei a aceitá-las (eram as minhas defesas), comecei a integrá-las e a diminuir o conflito dentro de mim e, consequentemente, a diminuir o conflito com os outros. Aumentei a minha tolerância. Comecei a perdoar-me pelas falhas e imperfeições, e a abraçar o meu lado “sombra”, diminuindo o meu julgamento e auto-crítica. Na descoberta das minhas polaridades existenciais, tomei consciência de que a vulnerabilidade é uma característica boa, positiva, que significa baixar as defesas e derrubar as barreiras no contacto com o outro e com o ambiente. Toda a gente se magoa e magoa nas relações, mas são as relações que nos fazem crescer! Eu estou a aprender com as relações e cada vez mais a aprender como estar nas relações!

A energia gasta no conflito interno das polaridades, é energia que não se investe na vida! Enquanto eu estou a viver e a consumir-me na culpa, não vivo outras coisas na vida! A culpa pode ser uma forma inconsciente para eu me manter paralisada! Este cenário tomou parte central da minha vida durante uns quantos anos e, ao mesmo tempo, foi o que serviu de trampolim para a integração das polaridades na definição da minha personalidade e consequente aceitação.