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Cursos de Preparação para o Parto: Da Teoria à Prática


Os cursos de preparação para o parto são úteis. Ajudam-nos a compreender as alterações que o nosso corpo vai sofrendo ao longo da gravidez. Ajudam-nos a ficar mais preparadas para as grandes mudanças que o nascimento de um bebé traz a qualquer lar.
Os workshops e as formações são úteis. Apresentam-nos dicas para lidar com o sono (ou  ausência dele) num recém-nascido. Apresentam-nos técnicas para acalmar os choros mais difíceis.
As revistas/livros sobre maternidade são úteis. Ilustram como se deve pegar num bebé nas mais variadas situações. Ilustram, passo a passo, como devemos limpar o temido coto umbilical.
Em suma, os cursos de preparação para o parto, as formações, as revistas e demais materiais são úteis. Todavia, não devem ser um fim, mas sim um meio. Passo a explicar.
Quando decidimos aprender uma língua estrangeira, mais importante do que ficar a saber todas as suas declinações, modos e tempos verbais, é conseguir, numa situação prática da vida real, colocar esse conhecimento a nosso favor – nunca contra nós. O mesmo deve acontecer com todas as indicações e conselhos que recebemos ao longo da gravidez.
Nenhum curso é suficientemente completo, nem nenhuma mãe é suficientemente experiente, para conseguirem tudo saber e tudo ensinar. Não há dois bebés iguais, assim como não há duas gravidezes, nem duas mães iguais. A gestação de uma vida é, sempre, uma experiência única e irrepetível. Mesmo uma mulher que engravide uma, duas,… dez vezes!, viverá sempre de um modo diferente aquele momento pois, como em tudo, também a gravidez e o nascimento de um filho são fruto das circunstâncias que nos rodeiam naquele período da nossa vida.
Os cursos, como qualquer manual de instruções, como qualquer prontuário terapêutico, assumem como guia o que é regra, o que é comum. Porém, sabemos que toda a regra necessita da exceção que a confirma e, por vezes, essa exceção somos nós quer para o bem, quer para o mal. Lembro de me dizerem que é mais provável que as mães que nasceram de cesariana tenham de fazer uma para dar à luz. Isso inquietou-me bastante, pois nasci de cesariana e, a determinada altura da gravidez, a minha bebé esteve sentada. No entanto, tudo terminou num maravilhoso e muito desejado parto natural. Disseram-me também que a amamentação, não obstante os seus desafios e dificuldades, tem tudo a ver com vontade e que não há mulheres que não produzam leite. Pois bem, posso dizer-vos que se havia alguém que quisesse dar de mamar era eu, mas tal de nada me valeu, pois fiquei sem saber o que é a tão falada subida de leite ou o que é acordar a meio da noite com a mama a jorrar leite. Se agora penso em tudo com algum desassombro, recordo a ansiedade que tudo me causou, grávida e prestes a parir.

Durante a gravidez, é muito importante selecionar o que se lê e o que se ouve. Nenhum estudo é dogma. Nenhum bom conselho é desmoralizador. Que interesse tem para o canhoto saber que, segundo as estatísticas, viverá menos nove anos que um destro?!... Os cursos de preparação para o parto, as formações, as revistas e demais materiais são úteis, mas não devem ser um fim em si mesmos.