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Cesariana vs Parto Normal

Lembro-me que à algum tempo, surgiu uma “discussão” nas redes sociais e em blogs sobre o parto normal e a cesariana.
Lembro-me que havia quem escrevesse qualquer coisa do género que quem tinha filhos por cesariana e não passava pela dor do parto normal era menos mãe. Quando li isto lembro-me de ficar incrédula e reler para ter a certeza se tinha percebido bem ou estaria ensonada e sem cafeína e teria trocado as letras do que estava a ler. E reli. E continuei incrédula.
Então vamos lá por partes.
1. precisamos de um “dorómetro” para medir a dor, por forma a saber quem é verdadeiramente mãe.
2. se só é ‘verdadeiramente mãe’ quem passa pela dor do parto, eu sou menos mãe de uma filha do que das outras, tudo graças à bendita epidural. Bolas. Estou chateada… pensava que era igualmente mãe das três.
3. se tudo passa pela quantidade de dor, então a mulher que teve um filho por cesariana, merece ser catalogada de ‘verdadeiramente mãe’, pois tenho ouvido que as dores são muitas, não no momento da criança sair, mas no depois, durante aqueles primeiros dias que o mundo da criança é a mãe e o mundo da mãe é a criança.
4. onde fica a ideia de que existe a ‘mãe de barriga’ e a ‘mãe de coração’? Aquela ideia usada para explicar muitas vezes às crianças que a adopção existe e que também se é mãe sem passar pelas dores. 

Para mim esta parte da ‘mãe de coração’ remete para o essencial desta discussão parva. Afinal o que é ser mãe??? Para mim ser mãe não se mede num “dorómetro” apesar das muitas dores pelas quais passamos para os ter ao nosso colo. 

Para mim ser mãe é amar, amar incondicionalmente; é ser capaz de transformar todas as angustias e medos e devolver tranquilidade e amor; é vê-los crescer, é vê-los afastarem-se, aproximarem-se, construir as suas vidas e continuar a amá-los, como se tivessem acabado de nascer; é viver a vida com a intensidade e energia que eles nos dão e nos tiram; é aprender com eles algo novo todos os dias; é conseguirmos ultrapassar os nossos limites; é ter sempre o coração cheio.

No máximo, ser ‘verdadeiramente mãe’ seria medido por um “amorómetro”, pois não há amor maior que o de uma mãe.