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A culpa que carrego



A culpa que carrego em mim, no meu corpo, na minha alma, no meu coração devasta-me, destroça-me, consome-me, mata-me todos os dias, devagar, aos poucos. 

A culpa, a dor, a raiva, a tristeza de ver o meu filho sofrer, pior, de saber o que pode acontecer, vê-lo perder faculdades, vê-lo perder a vida... Sinto-me culpada, é por minha causa, foi de mim que o meu filho herdou esta doença. 

Para me ilibar só posso dizer, que não sabia, que não sabia, não fazia ideia...

Silenciosamente, todos os dias te peço desculpa, todos os dias rezo pela cura desta doença, sofro e peço para trocar de lugar contigo, que seja em mim, no meu corpo que todo o mal aconteça.

Desculpa-me meu filho, desculpa a mamã, a mamã não sabia... a mamã só queria acordar deste pesadelo e livrar-te desta doença, mas impotentemente o confesso, a mamã não consegue... desculpa-me meu amor.

Amo-te meu amor, amo-te meu filho e humildemente te peço que me perdoes.

Para vos enquadrar neste meu desabafo cheio de dor, eu sou mãe e o meu filho tem uma doença grave, rara e evolutiva porque herdou de mim um gene maldito. Esse gene maldito do qual sou portadora, do qual não sabia, já que as mães portadoras não têm sintomas e a doença só se manifesta nos rapazes... 
E quis a vida trazer-me, trazer-nos, trazer-te meu amor, uma doença feia, horrível de seu nome Distrofia Muscular de Duchenne. Ainda não tem cura, mas terá, é isso que peço, é a isso que me agarro para ter forças para continuar a lutar e de sorriso nos lábios!