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A Criação de um Novo Ser e a Educação Pré-Natal


Quando é que tudo começa?
Eu acredito que tudo começa na imaginação dos pais, quando conscientemente decidem ter um filho e concebem um plano, tal como um arquitecto concebe um edifício. Um filho é um projecto, mas um daqueles que não podemos possuir, que nos escapa das mãos e que tem vida própria. Depois do plano delineado, mais ou menos conscientemente (pode não ser algo racional, mas simplesmente sentido), existe a concepção, o acto da fecundação, esse momento mágico em que tudo acontece e em que a semente é colocada num solo fértil que irá gerar vida, mais vida no mundo. É a tecnologia mais incrível, esta da criação na Terra.
No entanto, segundo alguns especialistas, tudo começa na gravidez, quando a mãe começa a influenciar física, emocional e mentalmente o bebé, transmitindo-lhe tudo aquilo que ela é, e o bebé começa a influenciar a mãe, transmitindo-lhe tudo aquilo que ele é. É a bela troca da criação. Um cria o outro e nunca mais a vida será a mesma. Daí muitos defenderem que educando correctamente as grávidas e as mães, a humanidade mudará.
Outros dizem que tudo começa no parto; alguns reclamam que é na infância, com as influências do ambiente e que temos que educar correctamente as crianças para que o mundo mude.
Se pensarmos bem nisto tudo que é a Vida, observamos claramente que existem ciclos e que a Primavera começa quando acaba o Inverno, mas não há nenhuma estação que seja a primeira. Este conceito que temos de linearidade do tempo impede-nos de percepcionar que nada começa e acaba num ponto específico, porque a vida é cíclica.
Então, voltando atrás, mesmo antes do plano: que células reprodutoras possui cada progenitor? Que história de vida, que cultura, que educação, que memórias, pensamentos, emoções, que património genético é este que passamos aos nossos filhos? No momento em que nos apercebemos da responsabilidade que temos no mundo, o passo seguinte é agir em conformidade e cuidar de nós mesmos, do nosso corpo, mente e vida emocional, para que nos possamos transformar em seres mais integrados, plenos. A boa notícia é que este processo nunca acaba e podemos sempre aprender mais sobre quem somos e por conseguinte, cada filho que concebemos terá uma herança genética diferente, dependendo da nossa condição e constituição.
Por tudo isto, os pais deveriam preparar-se física, nutricional, emocional e mentalmente para a concepção. Pais saudáveis dão origem a bebés saudáveis e aumentam as hipóteses de concepção, pois asseguram esperma e óvulos normais e saudáveis e ajudam a proteger o feto do risco de anomalias durante as cruciais primeiras semanas após a concepção.
Agora, avançando um pouco, para o período pré-natal, na barriga, a nutrição física, emocional e espiritual recebida pelo bebé durante a gravidez é de importância vital. Durante a gravidez a mulher “fabrica” a sua criança com o corpo e o espírito.
Tai-kyo, a abordagem aos cuidados pré-natais praticados no Japão e noutras culturas tradicionais, é baseada na importância de uma dieta natural equilibrada, de uma vida ordeira e de uma mente e emoções calmas e pacíficas durante a gravidez. A constituição do bebé, incluindo a apetência para a saúde ou doença, sabedoria ou loucura, abertura ou estreiteza mental e sucesso ou fracasso na vida, são, em grande parte, determinadas pela dieta e estilo de vida da mãe durante a gravidez. Dizem os chineses que 90% da nossa educação acontece no período de gestação.
Diz-se também no Oriente, que o ser humano consciente, quando quer conceber um filho, vela pela qualidade das suas sementes, purifica e reforça o seu terreno através de uma vida sã e de uma preparação psicológica. Esta é uma medida preventiva fundamental na saúde física e psíquica do ser.

No próximo artigo irei abordar com mais pormenor temas como a alimentação, exercício físico, música, atitude emocional e mental na gravidez e a preparação para o parto e nascimento da criança.