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A caminho da creche


O meu filho tem dois anos e desde que nasceu que está em casa comigo. O pai trabalha a partir de casa e não temos qualquer família por perto. Gostaria muito que a nossa “aldeia” fosse mais alargada mas, infelizmente, a vida moderna trouxe às famílias um isolamento que, acredito não ser o ideal. Vivendo em quase exclusividade comigo e com o pai, a entrada na creche e a sua adaptação a ela, trazem um receio genuíno.
Em Inglaterra, onde vivemos, é comum as crianças não irem para a creche muito pequenas (ou irem para a creche, de todo). Acredito que por isso as comunidades se organizaram para colmatar o isolamento de que falei acima. Há muitos playgroups, todos os dias, a várias horas. Há aulas de música, de dança, e um sem-fim de actividades em que as crianças brincam umas com as outras enquanto as mães (e em muitos casos os pais) convivem com outros adultos. E por fim, existem também muitas creches e infantários. É frequente as crianças começarem na creche só aos três anos (altura em que o Estado financia 15 horas semanais a cada criança) mas optámos por inscrever o nosso filho já este ano.
Não foi uma decisão fácil mas acreditamos que esta é a altura certa para o fazer. A ida para a creche irá permitir que eu me dedique a outros temas e trabalhe em novos projectos. Para já irá apenas duas tardes por semana e começará em Setembro e, como tal, começámos a fazer as sessões de acolhimento (settling sessions em inglês, infelizmente não conheço a designação correcta em português).
Diz-nos o senso comum que quanto mais tarde as crianças vão para a creche, mais difícil é a adaptação e depois de dois anos de exclusividade com a mãe e o pai em casa, o receio de uma adaptação difícil era real. Felizmente, todas as sessões correram muito bem: sem lágrimas e com orgulho nas pinturas e brincadeiras que por lá fez. Sempre que o vamos buscar, abraça-nos muito e logo de seguida quer mostrar-nos o que andou a fazer e os brinquedos que por lá existem.
A educadora acha que as sessões correram muito bem mas alertou para o facto de que alguns meninos, quando percebem que aquela ida é uma nova rotina, podem tender a resisti-la um pouco. Questiono-me também se o facto de só ir duas tardes por semana pode atrasar ou atrapalhar a sua adaptação mas tenho esperança que sinta entusiasmo de cada vez que for. Para já, tudo parece pacífico e esperamos que se sinta sempre bem e feliz por lá. Das várias escolas que visitámos, esta, com uma estrutura mais pequena e familiar, foi a que nos pareceu mais acolhedora, atenta e gentil com as crianças. Queremos que ele sinta a creche como uma segunda família, onde terá espaço para brincar, sorrir, chorar (quando precisar) e crescer.

E o coração da mãe, como está? Está apertadinho. Mas está também feliz e orgulhoso por vê-lo seguro, alegre, sempre doce e contente.