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O Meu Filho tem um Transtorno de Oposição

O meu filho não é maluquinho, o meu filho não precisa de uma escola especial, o meu filho não tem falta de educação em casa, tem um transtorno ao nível do comportamento: Desafiador Opositor.

Quem desconhece tende a etiquetá-lo com um auto diagnóstico porque afinal todos temos um pouco de médicos, especialistas diversos e tudo sabemos sobre tudo. Errado.
Quem vive no convento é que sabe o que lá vai dentro e como mãe é duro ouvir as barbaridades e acusações que temos sofrido nos últimos tempos. 

O Transtorno Desafiador Opositor é um problema e tem solução mas para isso é fundamental que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos. Uma criança opositiva é extremamente teimosa, facilmente se irrita com os outros, recusa-se a obedecer a regras, quer tudo à sua maneira e é muito difícil de convencê-la mesmo em situações que logicamente não fazem sentido. Por exemplo, em pleno Inverno embirrar que quer ir de Havaianas para a escola, comer um Cornetto ao contrário ou querer vestir calças na cabeça. São nas pequenas tarefas do dia-a-dia que se reflete este tipo de transtorno.

A longo prazo se uma criança com este quadro não for sujeita a intervenção precoce por parte de especialistas vai ter grandes dificuldades de integração.

Não vai saber gerir as suas emoções, vai ser intolerante a opiniões contrárias levando a reagir de forma agressiva sem qualquer controle emocional. Consequentemente são postos de parte, discriminados e têm dificuldade em fazer amigos. São crianças muito propícias a sofrer de bullying, excluídas de eventos, festas de aniversário tudo por conta do seu comportamento difícil de lidar. 

As consequências são psicologicamente dolorosas para eles e para nós pais. Não há nada mais triste do que na segunda-feira a seguir a uma festinha gira de colegas todos estarem a recordar os momentos divertidos e eles não terem sido convidados. (tem apenas 4 anos e já aconteceu, "mamã porque é que eu não fui à festinha..?"). Fico revoltada com esta crueldade que fazem às crianças. 

Desde muito cedo percebemos que o Salvador tinha mais qualquer coisa para além de teimosia e mau feitio. Por trás daquela cara de anjo há um problema que estamos a tentar travar desde os 2 anos, altura em que procuramos psicóloga. Tem sido um longo caminho com altos e baixos, mas tenho fé que vamos conseguir ajudá-lo.
É difícil, nem sempre há paciência porque eles esgotam todas as energias e recursos que temos. Choro muito, pergunto-me porquê eu, muitas vezes penso em desistir, é uma esquizofrenia de sentimentos.

Entretanto começamos as aulas de psicomotricidade e já se notam melhorias significativas.
Estejam atentas aos sintomas e na dúvida procurem ajuda. Não é vergonha nenhuma ir ao psicólogo, ou pedopsiquiatra, pelo contrário é um ato de coragem. 
Só quero que ele seja feliz.

Artigo originalmente publicado em http://ohcutxicutxi.blogspot.pt