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Dar o mundo aos filhos ou dar os filhos ao mundo?

Dar o mundo aos filhos
Uma das principais inseguranças quando somos pais prende-se com a incapacidade que podemos vir a ter de proporcionar aos nossos filhos tudo aquilo que achamos necessário à sua vida enquanto forem dependentes de nós.
Também é verdade que aquilo que consideramos o "mínimo indispensável" irá variar de pais para pais, sendo quase impossível reunir um consenso.
Mas será realmente importante dar o mundo aos filhos? Será que nos cabe a nós, pais, essa tarefa? Será que não devem ser eles, à medida que vão crescendo, a descobrir esse mesmo mundo? Será vantajoso para os nossos filhos terem o mundo nas "mãos"? Eu não tenciono seguir esse caminho com as minhas filhas. Tenho, como todos os pais, os meus "mínimos indispensáveis" para que as minhas filhas cresçam com saúde, educação, sentimento de pertença ao mundo em que vivem e acima de tudo felizes. Mas também considero igualmente importante que sejam elas a fazer uma parte do trabalho, isto é, a viver!

Dar os filhos ao mundo
E aqui entra a minha generosidade enquanto mãe que também é um ser humano: aprender a deixar ir. Dar as minhas filhas ao mundo. Elas são minhas filhas sim, mas são mais do que isso: são mulheres, são crianças, um dia vão ser mães, esposas, tantas coisas como aquilo a que se propuserem. Cabe-me a mim deixá-las ir, cada dia mais um pouco... Este exercício de desapego é complicado e mexe com qualquer mãe: por um lado queremos filhos (cada vez mais) cidadãos do mundo, seguros e independentes; por outro, queremos que sejam sempre os nossos bebés. O balanço é a virtude que devemos procurar. Deixá-los ir, para mais depressa voltarem.
Afinal, dá-los ao mundo equivale mesmo a dar-lhes o mundo!

"Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.”
José Saramago, escritor