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Como ser Mãe sem se ser exausta?

Passaram pouco mais de sete meses e meio desde que ouvi o seu primeiro choro. Na altura sentia-me exausta das intermináveis horas de trabalho de parto sem epidural funcionante, sem ter pregado olho durante a noite. Mal eu sabia que este estado de cansaço seria o meu estado dominante nos próximos meses.
Se alguém tem a receita de como ser mãe sem se ser exausta que me diga por favor, eu agradeço-lhe para o resto dos meus dias. Porque se não é a filha que não deixa descansar, é a mãe que já não sabe desligar o estado de vigília.
Se ela acorda às 6h30m, acorda durante a noite a chorar ou tem um sono muito agitado, sinto-me cansada o resto do dia porque depois de a deitar ainda tivemos de esterilizar biberões, preparar papa, saco para o dia a seguir, marmitas para nós e o dia só acabou já bem mais tarde do que a hora a que a deitamos. Se ela tem uma noite de sono tranquila e a mãe que não consegue desligar o estado de vigília e fica de olho aberto a vigiar os carneirinhos.
E dou por mim a pensar:
Ser mãe (e pai) nos dias que correm é uma ocupação de 24 horas, quando temos empregos que nos exigem quase essas mesmas 24 horas. Ser mãe (e pai) hoje em dia é carregar uma criança no colo enquanto corremos a maratona na selva do mercado. Ser mãe (e pai) na correria do dia-a-dia é tentar educar e transmitir o nosso amor calmo e seguro, enquanto tentamos não perder o comboio da produtividade.
É um amor sem fim, a prioridade das nossas vidas, mas ser mãe (e pai) é extenuante e ambíguo. Projetos que não conseguimos arrancar ou desenvolver como queremos, programas que nos apetecia fazer e não podemos, livros que estão na mesa-de-cabeceira para se ler, tudo são coisas que nos aumentam ainda mais o cansaço. É certo que um sorriso, uma “habilidade” nova, assistir a todo o evoluir e crescer da nossa filha vale tudo isto, mas não deixa de ser extenuante.
Porque sinto que só realizando os meus projetos, só tendo os meus e nossos momentos estou capaz de ser uma mãe feliz, capaz de educar uma filha e contribuir para um mundo melhor, um mundo onde ela se sinta feliz, o nosso mundo.

Mas a dúvida fica. Como consigo ser mãe, com todo o sentido que esta palavra carrega, se o mundo me exige tanto quanto a minha filha e eu tenho de dar resposta a tudo? A ela, a mim, a nós, ao trabalho, à sociedade?