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Afinal, o que é isto de ser uma “Mãe Consciente”?

[As 4  perguntas que sempre me fazem]

Afinal é sobre os Pais ou é sobre as Crianças?
É sobre os pais, porque toda a resistência é falta de conexão, porque o comportamento deles é um reflexo do nosso. 

É sobre os pais, porque todos os momentos desafiantes são oportunidades para crescermos mais um bocadinho. Porque o que nos irrita, incomoda ou queremos corrigir nos nossos filhos são as nossas próprias feridas, medos, carências.

E é sobre as crianças porque os comportamentos,  atitudes ou palavras rudes, agressivos ou desafiadores são o reflexo de um estado interior desorganizado e não uma afronta pessoal. 

Porque o caminho deles não tem de ser feito sobre as nossas expectativas, desejos ou frustrações. Porque não os queremos perfeitos, felizes e bem sucedidos para satisfazer o nosso ego - apenas queremos estar presentes sempre na sua vida, independentemente de quem são ou o que fizerem.
Porque eles e os os seus comportamentos, conquistas e desaires não dizem nada sobre nós.

É  mais sobre aprender ou desaprender?
É aprender, porque aprendo com o meu filho, aprendo sobre a minha autenticidade, sobre os meus verdadeiros limites e a ter atenção às minhas próprias necessidades. 
Aprendo a comunicar com respeito, a negociar, a ser mais flexível, mais tolerante. 

Aprendo a ser presente e a conectar-me, a dar tempo ao tempo, a questionar e a desenvolver o meu auto-controlo.

Mas desaprendo crenças enraizadas e ideias feitas, desaprendo regras absurdas ou normas que não me servem. 

Desaprendo conceitos que afinal já não fazem sentido para mim,  desaprendo a ser pai a partir de uma relação hierárquica e a educar a partir do poder, do controlo e da disciplina.

E permite o (des)respeito?
Ao praticar Parentalidade Consciente tenho mais respeito por mim própria e pelos meus filhos. Respeito a minha integridade e consigo o respeito dos outros por ser congruente e  mostrar a minha verdade.  
Tenho respeito pela força interior, pelo mais fraco, pelo falhanço e pelos erros.  

Tenho respeito pelas crianças e pelas necessidades individuais de cada pessoa.

Mas não respeito o medo, o poder do mais forte, não ganho respeito pelo uso de prémios e recompensas ou castigos e ameaças. Não respeito regras que não compreendo ou mensagens não alinhadas com as atitudes.

E resulta ?
A Parentalidade Consciente não “resulta” porque não é uma técnica universal, não reside numa fórmula mágica. Não “resulta” porque não faz emergir crianças bem comportadas, certinhas e artificiais.

A Parentalidade Consciente “resulta” em crianças autênticas e com uma forte auto-estima, habituadas a ser tratadas com igual valor, em adolescentes e adultos com espaço para serem quem são, habituados a tratar toda a gente com igual valor, resulta no maravilhoso trabalho interior de cada mãe e pai, e na relação que estabelecemos com os nossos filhos pela vida fora.