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A jornada da Parentalidade


Desde que entrei na jornada da Parentalidade, consciencializei-me de forma emocional e racional do que tenho de melhor e pior.  Na verdade, criar um filho pode suscitar o melhor e o pior de nós e entendi que é neste caminho de ser mãe e pai que temos as melhores oportunidades para crescer, para melhorar, para serenar e encontrar a alegria interior.
Sabia-o teoricamente, conhecimento que adquiri do meu curso, mas a sabedoria, com toda a profundidade espiritual que tal palavra alberga, surgiu com a Parentalidade.
Aquilo que mais serve de combustão para a minha mudança e melhoria pessoal e espiritual é saber que o que faço, digo e sinto, será, indubitavelmente, o que as minhas filhas farão, dirão e sentirão. Resultará no ser humano que as minhas filhas serão e é isso que me move, diariamente.
Retiro um excerto das minhas leituras de fim-de-semana, que sublinhei e cravei na minha memória, para me orientar ou reconduzir ao caminho que quero, sempre que pelas circunstâncias e contrariedades do que significa ter filhos, me sentir a desviar desse caminho.
"São poucos os que têm a sorte de terem sido criados com pais em sintonia com a sua alegria interior. Essas crianças abençoadas crescem com uma leveza de espírito e uma confiança intuitiva de que a vida é boa e sábia. Sabem que a vida não é para temer, é para abraçar".
E tudo isto é um ciclo vicioso, porque hoje somos pais e somos o resultado dos pais que foram connosco, que por sua vez foram pais tendo em conta os pais que tiveram. E se temos a sorte deste ciclo ter sido harmonioso, vos garanto que uma grande parte de muitos pais são o resultado, inconsciente, de desarmonia emocional. E isso influencia os pais que hoje são. E nesses casos torna-se fundamental romper com o ciclo, para que ele não passe à próxima geração.
A paciência foi, sem dúvida  e surpreendentemente , o pior que se revelou de mim nesta jornada parental. A paciência, aquela poção mágica que se torna essencial quando os nossos filhos não obedecem ao "plano". E são tantas as vezes que eles não obedecem ao nosso "plano", porque o seu ritmo não é o nosso ritmo.
Depois de muitas vezes ter perdido a paciência, percebi que a situação precisava de uma análise. E optei olhar para mim. E percebi que o mais sensato e útil seria eu considerar a mudança dos meus planos, em vez de exigir sempre que as minhas filhas obedecessem aos meus planos, ao meu ritmo.
Fui percebendo que, com o seu ritmo mais lento, as minhas filhas me estavam a oferecer uma oportunidade preciosa para eu mudar o meu ritmo, uma vez que o ritmo natural de uma criança está muito mais próximo do ritmo que a alma nos pede do que o ritmo da maioria dos adultos (o meu ritmo, portanto). Tinha então de entrar em quietude e silêncio, antes de restaurar a tranquilidade.
Passei então a acordar mais cedo. Permiti-me abrandar o meu ritmo, no silêncio da casa. Passei já a acordá-las imbuída do ritmo que a alma nos pede. Deixei de olhar para o relógio como um inimigo. E sempre que ele me transmitia ansiedade, repetia para mim própria "tudo se faz". E respirava fundo.
E tenho respirado fundo muitas vezes. Ao início do dia, durante o dia, ao entardecer. Com filhos. Sem filhos. E sempre que a ansiedade me quer toldar, isolo-me e penso que não há outro lugar onde estar além deste, no momento presente. E que sou sempre eu que precisa de ajuda, porque sou eu que não estou a saber lidar com a situação.
E tenho tido mais paciência. E a minha alma tem descansado. E são mais os dias que tenho conseguido moldar a minha impaciência do que aqueles em que me tenho deixado levar por ela. E vou levando o meu barco a bom porto. E vamos levando o nosso barco a bom porto. Com mais tempestades. Com menos tempestades, mas o barco está a seguir o seu rumo.


 E por aí? Como segue o vosso barco?