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A (des)arrumação aos olhos dos filhos!

Gostava de vos falar da (des)arrumação aos olhos dos meus filhos que não será, necessariamente, muito diferente dos vossos.
Vamos a isto?
A mochila da escola tem um íman que parece que cola ao chão, à entrada de casa e ali fica tipo bibelot.
Nunca querem tomar banho. Gritam e barafustam, mas depois demoram horas a sair da banheira. Entretanto, a roupa suja, toalhas de banho e afins ficam espalhados pela casa como se de uma decoração nova se tratasse.
As meias. Ora bem... as meias... o que dizer das meias??!! Aparecem nos sítios mais improváveis, atrás do sofá, entre as almofadas do sofá, nas molas do sofá, debaixo do colchão da cama, no estrado da cama, nas borrachas da máquina de lavar roupa e até dentro da máquina da loiça!...
O que dizer dos copos, pacotes de bolacha, pacotes de leite e tudo o que o é pacote?
Ficam em cima dos móveis ao lado das molduras que dá um ar super moderno.
No que toca à roupa espalhada pelo quarto... passo-me! Viro bicho! transformo-me!
E o que é que eles fazem? Nada. Ignoram. Olham de lado.  Assobiam para o ar.
E o som da televisão? Sempreee no máximo!
Será que vêem com um filtro anti ruído de mãe e pai? Apenas de mãe e pai? Conseguem abstrair-se de uma tal forma que é quase um caso de estudo...
Têm uma capacidade de largar coisas num sitio e abandoná-lo por lá dias a fio sem que isso os incomode (mesmo sendo um prato cheio de migalhas e um pacote de leite ressequido!).
Atrofia-me que os meus filhos não tenham olfacto, tenham audição selectiva e ignorem uma mãe em nervos, sem tempo para o tempo deles que é bem mais demorado que o dela.
Com muita insistência, lá fazem a cama, poêm a mesa e colocam as coisas espalhadas nos devidos lugares. A custo e a bufar que a vida é injusta (mal sabem eles o que é injusto), o pré adolescente lá baixa o som da TV.
O que lhes digo no íntimo? O que penso para mim com toda a convicção?
Que continuem assim! Que sejam crianças! Que cresçam com responsabilidade e respeito ao próximo mas sejam crianças (felizes) cujos valores se irão firmando a pouco e pouco, com persistência, criando laços e enraizando as regras e regras com que nos deparamos todos os dias. 
Basta termos paciência, “dar-lhes a cana e ensiná-los a pescar”. 
A seu tempo, tudo encaixa nos devidos lugares. A seu tempo... tudo encaixa.