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Uma espécie de “Mãe do Coração”

Tenho o privilégio de acordar todos os dias e não ter de ir “trabalhar”. Tenho o privilégio de ser mãe a tempo inteiro… mãe dos meus filhos e de tantos outros que, inevitavelmente, sinto como sendo um bocadinho “meus”. São muitas horas, dias, semanas, meses e anos em que os vejo crescer, em que me apaixono por cada um deles, em que lhes dou colo e conforto, em que sou confidente… num dos papéis mais desafiantes e exigentes da minha vida, que em muito ultrapassa o ajudar a aprender a ler, a escrever, a contar…

Enquanto o nosso sistema de ensino insiste em formatar “mini - robôs”, numa espécie de produção em série, eu continuo a acreditar que os anos que passo com eles são fundamentais para juntos aprendermos a SER e a ESTAR, num mundo que se revela cada vez mais asfixiante, competitivo e, até mesmo, impiedoso. Acima de tudo, preocupa-me que eles estejam preparados para viajar nesse mundo e que, para isso, consigam levar uma bagagem cheia de sonhos, de esperança, de força para acreditar, de coragem, de perseverança, de auto-estima… Parece simples, mas na verdade é esmagador o peso desta responsabilidade que me “assombra” muito além do horário laboral. Chega a ser difícil de explicar por palavras o quanto isso é sufocante e, ao mesmo tempo, libertador e recompensador… um misto de emoções que envolve esta missão agridoce que decidi abraçar. No final de contas, o saldo é positivo… pelo crescimento mútuo, pelos desafios que eles me colocam diariamente, “obrigando-me” a uma constante reflexão e a uma busca desenfreada por um “Eu” melhor, mais compreensivo, mais tolerante, mais atento à heterogeneidade, às necessidades e especificidades de cada um. Um “Eu” disposto a ouvir… um “Eu” que lhes dá espaço para o diálogo, para partilhar e liberdade para se exprimirem, para dizerem o que sentem, o que pensam, para poderem ter uma opinião diferente. Um “Eu” que permite que se trabalhem as emoções e os sentimentos algures no meio do trabalho das letras e dos números. Um “Eu” que acredita que eles aprendem melhor se forem felizes, e se mantivermos uma relação baseada na confiança e numa conexão eficaz. Um “Eu” construído com eles e por eles… por estes “filhos” que exigem diariamente a melhor versão de mim e me tornam uma espécie de Mãe do Coração, cada vez mais próxima da pessoa e da mãe que quero ser. E eu só posso agradecer por ter a oportunidade de aprender e crescer com eles.