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O meu filho morde os outros meninos na escola

O Francisco desde que entrou no Jardim Escola que, em altura de salto de desenvolvimento, morde. Se gosto? Obviamente que não!
A Flor também nunca mordeu até ao segundo dia do colégio (antigo) onde, numa vez única e irrepetível, deu uma dentada tão grande a uma menina que lhe ia arrancando a bochecha. Tinha 2 anos quando isto aconteceu. Se gostei? Obviamente que não. Felizmente foi um acto isolado. O mesmo não acontece com o irmão.
Nenhum Pai gosta que o filho morda ou seja mordido mas, porém, todos sabemos que não é uma questão educacional mas sim comportamental. Geralmente são crianças pequenas, que estão aprender a dividir seu espaço com outras crianças da mesma idade. Não é fácil para os nós assimilarmos essas dentadas sem mágoa ou indignação. Não acredito que alguém se conforme com a situação ao ver seu filho (supostamente) desprotegido, marcado pelos dentes de um colega.
A meu ver, de tudo o que já li sobre isto, parece-me importante reforçar que as crianças, principalmente nestas idades, (o Francisco em 2 anos) aprendem a exteriorizar as suas angustias, frustrações e medos. Têm de aprender a lidar com a descoberta e a ansiedade que lhe está inerente. Se numa fase anterior, o choro era o mecanismo mais usado, nesta fase são as mãos e os dentes.
Morder faz parte do mecanismo de defesa mais primitivo do homem. Foi, durante milhares de anos, uma forma de exploração do ambiente e, inclusive, uma forma de comunicação, principalmente para marcar território.
No caso em concreto do meu filho, tenho a certeza que o morder não é uma acto de agressividade e, muito menos, de violência. Ele não o faz como intenção de magoar mas como forma de testar limite ou por necessidade de defesa. Se gosto? Obviamente que não! Mas, também quero acrescentar, que  também não gostava se fosse outro menino ou menina a fazê-lo.
Enquanto Mãe, que posso eu fazer? Tenho de ter paciência e, em casa, quando acontece, porque acontece com alguma frequência também, explico-lhe que não se faz, sento-o à parte de forma a que perceba que o que fez não se faz e, quando se acalma, explico-lhe a importância do pedir desculpa. Se resulta? Tem dias! Mas faço-o com calma, explicando que morder mas doer e que magoa as pessoas.
Actualmente, o Francisco está a aprender a gerir os sentimentos e começa a expressar o que sente através da fala ou de outros comportamentos. E, da mesma forma que acontece com ele, acontece com muitas outras crianças porque está inerente à conquista do espaço delas por isso, sabe aos pais e professores terem paciência (e compreensão) nesta fase de desenvolvimento.


De qualquer forma, do fundo do coração, peço desculpa, por ele, a todos os que têm levado umas valentes trincas. Sei que não é com maldade e espero que o compreendam.