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Devo dar mesada ao meu filho?

A Educação Financeira deve começar desde tenra idade. Pequenas noções do valor do dinheiro e da necessidade de poupança em crianças pequenas ajudam-na a tornar num adulto mais consciente e preparado para lidar com o dinheiro.
Uma forma simples e eficaz de dar estas pequenas noções é a atribuição de uma mesada ou semanada. Muitos pais ficam com a dúvida de como o fazer ou o valor a atribuir.
Aqui deixo algumas dicas sempre com a ressalva que cada criança é única, e todos os métodos devem ser adaptados ao que conhecemos dos nossos filhos (a sua maturidade independente da idade) e adaptar ao que será melhor para eles e para nós.

Semanada ou mesada?

Até aos 12 anos aconselha-se a semanada pois até essa idade as crianças têm pouca tolerância à espera e mais facilmente gerem o dinheiro para um período mais curto de tempo (7 dias) do que saber “estica-lo” para o mês todo. A partir dos 12 anos pode-se introduzir o conceito de mesada.

Que valor atribuir?

Existem especialistas que aconselham o método de atribuir como semanada metade da idade da criança, ou seja, se tem 10 anos, atribuir a semanada de 5€. No entanto existem diversos fatores que condicionam a aplicação desta teoria e que pode (e deve) divergir o montante. Deve ter em conta o orçamento familiar, o custo de vida da zona em que habita e o que conhecemos de cada criança. Seja que valor for, é importante que seja fixo (não o alterar de semana para semana mas apenas com o crescimento da criança). Aconselha-se o acompanhamento da criança, o incentivar a poupança para o cumprimento de pequenos objetivos mas sobretudo dar-lhe a liberdade de cometer alguns erros (e deixa-los lidar com as consequências).

A partir de que idade devo dar semanada?

À partida, antes dos 5 anos as crianças não têm a noção de dinheiro mas se achar que o seu filho tem maturidade para isso, pode começar a dar-lhe algumas noções iniciais.
- Dos 5 aos 8 anos
Pode por exemplo atribuir 1€ por semana. Recorra a exemplos práticos para que tenha noção do seu valor e do que pode fazer com ele. É importante monitorizar a criança mas não punir. Dar a liberdade que ela faça o que quiser. Se decidir gastar com um doce, que gaste e aprenda que gastando tudo de uma vez não terá mais para gastar (com o compromisso dos pais também de não dar a mais do que o estipulado). Não julgue, a criança aprenderá por si mesma e para a próxima a gerir melhor. Tente perceber o porquê das suas escolhas e incentive a fazer de forma diferente para a próxima. A ideia é que aprendam as consequências, o sentido de autonomia e responsabilidade.
Pode por exemplo atribuir três pequenos mealheiros de preferência transparentes, um para gastar outro para poupar e outro para doar. Esta é uma forma de em família estipular pequenos objetivos, fomentar a poupança e a solidariedade para com o próximo. Estes tópicos acabam por representar os três grandes dilemas que eles vão enfrentar enquanto adultos.
- Dos 8 aos 12 anos
A partir desta idade a noção de semanada passa a ser mais consistente. Pode por exemplo atribuir também um valor para o lanche na escola, com a condição que tem que escolher bem se quer ter troco e acabando o valor terá que esperar a próxima.
- A partir dos 12 anos
Com 12 anos pode introduzir a mesada. Esta ganha uma importância maior pois também começam a entrar na adolescência e a terem objetivos mais definidos do que fazer com o dinheiro. Aqui, a mesada deve cobrir despesas de telemóvel, gastos pessoais e designar sempre 10% para poupança. Se a poupança se tornar uma coisa natural nestas idades, também o irá ser enquanto adultos. Estabeleça as regras de que o valor da mesada não inclui despesas com alimentação, roupa ou tudo o que seja essencial, mas se desejarem alguma coisa extra (aqueles tênis de marca especiais, ou aquele telemóvel de sonho) deverá poupar a sua mesada para esse objetivo. O saber esperar para ter algo que se deseja é dos melhores exercícios para conhecer os limites do dinheiro.
Os 16 anos é a idade legal para que um jovem tenha um cartão multibanco. Mas para isso é necessário os pais avaliarem a maturidade do filho antes de tomar essa decisão. Se acharem que o filho não tem uma boa capacidade de autocontrolo não é aconselhável ter um cartão multibanco em seu nome.
Não esquecer que independentemente do valor atribuído como mesada/semanada, este valor deve estar refletido no Orçamento familiar como uma despesa fixa.
Espero que estas dicas vos sejam uteis, vamos tornar as nossas crianças melhor preparadas para lidarem com o dinheiro no futuro.