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A Matemática que os meus filhos me ensinaram…

Numa sociedade em que se teme o bicho papão - a matemática - e como gosto de contrair tendências estudei o bicho anos a fio num trabalho de domesticação dedicado. Agora sendo mãe, compreendi-o mais que nunca e quero, por isso, agradecer aos meu filhos.

Obrigada filho por me ensinares que o tempo não é composto por horas, minutos e segundos mas por momentos. O momento em que nasces e que te colocam em cima do meu corpo, fora dele mas nele. O momento em que mamas, te ris para mim, que me chamas mamã pela primeira vez (mesmo querendo dizer outra coisa qualquer), o momento em que dás os primeiros passos, que fazes o primeiro aniversário, que vais para a escola, que me abraças e que dizes que me amas, assim como sou…
Aprendi contigo o verdadeiro sentido do infinito, o meu amor. Incrivelmente, o infinito cabe num intervalo tão fechado quanto o meu coração.
Aprendi que deixar de te amar, compreender, ajudar, abraçar e apoiar é um acontecimento impossível.
Aprendi que a nossa família é um triângulo, nem sempre equilátero mas cujos vértices, nós, estaremos para sempre ligados.
Aprendi que tudo cresce exponencialmente, o amor, a dedicação, as preocupações, a plenitude e a alegria. E aprendi que 1+1 não é 2, ter dois filhos não é igual a ter um mais um e o cansaço com a chegada do segundo filho assim como a compensação, está em progressão geométrica com elevada razão.
Por vezes, questiono se a nossa relação poderá ser uma função. Não, não te quero em função de mim e não estarei em função de ti. Amo-te demais para isso! Naquilo que criamos há consonância, não há objeto nem imagem, embora por graça vejo muito de mim na tua imagem.

Tão natural, inteira, a tua/vossa existência da minha vida e tão irracional este texto. Calculo que não o compreendam, mas que aceitem que é importante ensinar matemática aos nossos filhos. Ela está em tudo o que nos rodeia e em nós, mesmo nos nossos pensamentos e emoções.

Tenho muita pena que ela te seja apresentada por meio de “metas curriculares”, designações que não tenhas idade para compreender e que irás esquecer amanhã mas esse é assunto para outra crónica mais dedicada ao meu papel de mãe e de professora.

Por agora, concluo com a certeza máxima dirigida aos meus filhos, agora no singular mas ao quadrado tal como no texto “a minha vida sem ti, meu filho, era o vazio”!