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A importância do pai e da união do casal na gravidez, parto e pós-parto


Um casal deve investir no aprofundamento da sua relação antes da mãe engravidar, idealmente. Se tal não tiver acontecido, é importante os pais se reunirem para conversarem sobre a educação da criança em todos os aspectos – saúde, alimentação, escola, filosofia, etc., pois em todas as fases do desenvolvimento do seu filho irão surgir momentos de decisão cruciais, escolhas que têm que ser feitas com segurança e tranquilidade, preferivelmente com a anuência dos dois progenitores.

As discussões que se podem gerar à medida que o bebé vai crescendo minam o relacionamento entre o casal e prejudicam a harmonia familiar. Mesmo que não se discuta em frente à criança, a proximidade entre o casal é afectada e, indirectamente, ela sofrerá as consequências, já que a mãe não estará equilibrada, feliz.

Mas como aprofundar a relação com o companheiro? Em primeiro lugar temos que aprofundar a relação connosco mesmos. Só com o auto-conhecimento, a auto-observação dos processos do pensamento, das emoções, do corpo, é possível abrir espaço para conhecer o outro.

Depois de encontrado o equilíbrio, o respeito pelo outro, a admiração pelas suas características individuais, o amor incondicional, surgem naturalmente, pois não criamos expectativas, aceitamos o outro tal como é, e amámo-lo, sem esperar que mude, agora ou amanhã.
É evidente que podem surgir divergências, fruto das diferentes personalidades e dificuldades de comunicação, mas se na essência os pais se identificarem um com o outro e se direcionarem para o mesmo caminho, tendo os mesmos objectivos, é fácil superar esses pequenos desentendimentos. O importante é existir diálogo, com humildade, sem arrogância. Não há necessidade de se impor o nosso ponto de vista, apenas observar a realidade, descrevê-la e esperar que o outro nos ouça com atenção, para que se possa estabelecer um diálogo.
As discussões podem começar logo na gravidez, fruto das alterações hormonais que a grávida sofre, da ansiedade e receio frequentemente sentida por ambos ou por causa de questões específicas. Quando o casal tomar qualquer decisão, deve pensar, antes de mais, no bem-estar da criança.

Escreve-se muito para as mães, as mulheres, talvez porque são agentes harmonizadoras por natureza, receptivas e atentas aos outros e à família, procurando trazer o equilíbrio ao lar, muitas vezes à custa do seu. Um dia destes irei escrever sobre isso mesmo, sobre o quão importante é que uma mulher, mãe, não se deixe esquecer no meio dos inúmeros afazeres e responsabilidades, sob pena daquilo que intenciona com essa dedicação vir a ser anulado pelo pesado esforço que a aliena da realidade e lhe rouba a presença e luz. Mas, por agora, achei que seria bastante útil focar-me mais nos futuros pais, muitas vezes esquecidos e colocados em segundo plano, como se não tivessem capacidade para se transformarem e ajudarem a companheira e mãe dos filhos a restaurar o seu equilíbrio.

Seguem-se algumas dicas, que podem ajudar na compreensão da grávida, assim como aprofundar o relacionamento afectivo neste período exigente da vida a dois:

§   O papel do pai é muito importante: é ele que vive e acompanha a mãe e se ele lhe der segurança e a fizer feliz isso será transmitido ao bebé.
§   Os futuros pais devem compreender que a sua vida irá mudar e nunca mais voltará a ser a mesma. Não devem esperar que depois da gravidez, parto e primeiros meses da vida do bebé, a sua vida volte ao normal. Existirá uma nova “normalidade”. É uma nova fase da sua vida, bastante exigente, é certo, mas que lhe dará frutos e surpresas inimagináveis. Se viveu intensamente até aqui, não sentirá saudades, nem frustrações.


  • Não se preocupe excessivamente com as finanças, mas tome acções responsáveis  no sentido de ser capaz de fornecer à sua família os bens necessários a uma vivência feliz e sem carências.
  • Durante a gravidez, procure arranjar tempo para conversar com a companheira e com o bebé, diariamente. Assim começa a criar laços mesmo antes de ele nascer. Estima-se que os bebés conseguem ouvir vozes dentro da barriga a partir da 15ª semana de gravidez.
  • Compreenda-a se ela se irritar sem razão aparente ou chorar compulsivamente sem que consiga compreender o motivo. Lembre-se de que a mudança, para ela, é também física e hormonal e a adaptação e gestão emocional por vezes é difícil. Seja paciente e compreensivo.
  • Leia livros e informações sobre a gravidez e parto para compreender as diferentes fases que se sucedem.
  • Compreenda a futura mãe se ela não desejar ter relações sexuais. Ela pode não sentir qualquer desejo e, biologicamente, é uma atitude natural. Respeite a vontade dela e procure fazer amor de outras formas: festinhas, carícias, sussurros, massagens, tudo o que ela precisa e merece! Não se esqueça que isto será transmitido ao bebé. Se a mãe estiver bem, ele também estará.
  • Se tiver relações sexuais não pense que isso irá magoar o bebé, pois ele encontra-se bem protegido. Se a gravidez for saudável e normal, não há qualquer problema.
  • Procure ter uma alimentação e um estilo de vida saudável. Lembre-se de que irá ser o exemplo para uma criança e ela será inteligente o suficiente para não seguir teorias que não vê postas em prática.
  • Na gravidez e no parto, o seu papel é apoiar. O papel mais activo é o da mulher. Ela carrega a criança e terá de trazê-la para este mundo. Respeite as suas decisões e apoie-a nas suas opiniões. Isto pode ter uma grande importância no parto, altura em que o casal se vê confrontado com profissionais de saúde que podem pretender tomar procedimentos que a mulher não aceite ou julgue necessários.
  • No parto, acompanhe a mãe em todas as situações, a não ser que ela prefira estar só, o que pode acontecer durante as contracções. Não precisa de ver o bebé nascer, se achar que isso o impressionará, mas esteja lá nesse momento, pois a energia que transmitirá à mãe pode ser determinante para um período de expulsão mais curto. Esfregue-lhe as costas, na zona dos rins ou coloque-se atrás dela a segurá-la.
  • É possível que após o nascimento ou mesmo durante a gravidez tenha ciúmes da atenção que a sua companheira dá ao bebé e se sinta um pouco abandonado. Compreenda que agora existe outro/a e aceite a sua nova realidade. Em breve estará adaptado e a mãe voltará a dar-lhe os carinhos habituais.
  • O parto é, provavelmente, uma das experiências mais intensas, mas também mais desgastantes pela qual a mulher irá passar em toda a sua vida. Ela precisa da sua ajuda, pelo menos nas primeiras semanas. Pelo menos nos primeiros dias, faça tudo em casa e deixe-a namorar e criar vínculos com o bebé. Se não tiver possibilidade de o fazer, peça ajuda a um familiar.
  • Quando regressar ao trabalho sentir-se-á cansado, especialmente se o bebé acordar com frequência de noite. Não faça a sua companheira sentir-se culpada por tê-lo acordado. Já é difícil o suficiente para ela. Faça a sua parte e lembre-se que cuidar de uma criança é dos trabalhos mais exigentes que existem.
  • Não culpe a sua companheira se chegar a casa e tudo estiver por fazer, incluindo o jantar, e o bebé estiver a chorar. Apesar de parecer difícil compreender como é que ela não conseguiu fazer nada durante um dia inteiro, acredite que há bebés que pedem colo todo o dia e até toda a noite, pois assim sentem-se mais seguros. Acalme a mãe, pegue na criança e tente transmitir-lhe segurança e tranquilidade. Isto pode requerer muita paciência e desafiar aquilo que acreditava serem os seus limites.
  • Não se refugie no trabalho. A criança precisa de ambos os pais presentes para o seu desenvolvimento saudável. A energia masculina é tão importante como a feminina para a construção de um ser equilibrado.
  • Trabalhe em equipa e aceite tanto o seu papel como o da mãe; distribuam tarefas, planeiem e organizem mas não se esqueça de reservar sempre momentos para estarem a sós, em momentos de reflexão e criação do futuro em família.