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A dor das birras


Hoje num pic-nic, uma amiga falava-me das birras das filhas. De como são momentos difíceis em que facilmente perdemos a cabeça. Mas temos tido sorte. Nenhuma das minhas filhas é de grandes birras, e talvez não seja eu a melhor pessoa para falar sobre o assunto. Lembro-me de assistir às birras do meu sobrinho, essas sim famosas e frequentes, e de ver a paciência e tolerância com que a minha irmã lidava com aquilo, e de pensar que nunca iria fazer aquilo... Ainda hoje não sei como ela conseguia. Talvez uma das razões seja, como ela descreve, identificar-se com o sentimento do filho nesses momentos. Isso deve ser muito importante. Dizem as pessoas que se lembram, que também ela fazia birras fenomenais, e ela própria se lembra do sentir desses momentos. Eu não me lembro de fazer birras, e as pessoas descrevem-me como tendo sido um criança "fácil", talvez por isso não consiga ter empatia pelos momentos de birra. Quando a minha filha R. começou a fazer as primeiras birras comecei por a levar ao espelho para se ver e a tirar fotografias, actos que a distraíam e desviavam da birra propriamente dita. Por vezes também faço filmagens das birras e depois vemos juntas. Curiosamente, esta solução das filmagens também serve para as "birras" de pré-adolescente da R. Já fizemos e depois vemos juntas e falamos um pouco.

Outra coisa que utilizei ao longo dos anos foi dizer como elas deviam fazer as birras, que deviam bater os pés com mais força, e deitar-se no chão e bater com as mãos e os pés ao mesmo tempo. Não sei porque é que comecei a fazer isto. Lembro-me de ter feito umas vezes, ter resultado, e agora ser uma forma de agir. Resultou com a R., e com a K. ainda resulta  melhor, porque por vezes fazemos este "jogo" mesmo quando ela não está a fazer nenhuma birra e quer mostrar como faz birras muito bem. Não sei bem porque resulta, mas com elas resultou sempre. Penso que acaba por desviar a atenção dela e é assim uma espécie de jogo.

Imagino que estas soluções não resultem da mesma forma com todos os meninos e todos os pais. Experimentei aqui há uns tempos com o filho de uns amigos e não teve grandes resultados, mas as birras normalmente são direccionadas para os pais, e não era comigo que ele queria fazer a birra. Para além disso, cada um de nós lida com elas à sua maneira.
De qualquer forma, ficam as ideias, que podem ser adaptadas e utilizadas à maneira de cada um!