0

Um salto de Fé



A minha aventura favorita é a nossa família e uns projectos que me enchem a alma, e espero que dê também para pagar as contas! Apesar de ter sido sempre assim, pagando muitas vezes um preço alto a nível profissional por ser Mãe, e ser solteira. Nunca me arrependi, e fá-lo-ia uma e outra vez. Mas também a bem da nossa família tive que fazer sacrifícios que me custaram muito por me ter de ausentar por longos períodos para longe da minha filha.

Ao longo deste tempo cheguei a uma conclusão: A vida é curta de mais para tanto stress, e enquanto há saúde, há tudo o resto. Lição que aprendi enquanto a minha mãe partia aos poucos, um dia cada vez, e chegava à esta mesma conclusão ela mesma. Oito anos depois da sua partida, por vezes esqueço também, e a vida imediata toma força. Contas para pagar, escola para a filha, vacinas para a cadela, contas que por vezes se acumulam, trabalho e projectos que nem sempre aparecem quando queremos ou precisamos. Eu nem sequer tive tempo para o amor! Daquele de paixão, sabem?! O medo tomou conta de mim, serei capaz, terei coragem? Coragem tenho para me aventurar por terras estranhas, mas e dar um salto verdadeiro de Fé? Acreditar e saltar de olhos fechados de mãos dadas com a minha filha, e apostar em algo que tem estado ali mesmo à minha frente, mas que por medo tenho empurrado, adiado, protelado....evitado.

Quando assim é, lá vou de missão outra vez, um mês, dois meses e ou até três meses. Tudo para chegar à conclusão de que apesar de adorar o que faço, já não é uma paixão e já não me enche as medidas. Estranho, tive esta epifania apos ter o contracto que queria. Há coisas incríveis, não há? Mas, estar longe da minha filha tem de valer mesmo a pena financeiramente e não só. Agora já nem é isso que pesa na balança. Agora pesam outras coisas, muito mais importantes e muito mais urgentes.

Por ano, desde os seus 4 anos, viajo em média um a dois meses, depois o resto do ano estou com ela o tempo inteiro. Inteiro. Se fizer as contas e comparar com outras mães e pais, com tempos de trabalho, trânsito, tempos livres etc tenho quase a certeza que mesmo assim ainda passo mais tempo com ela do que a regra hoje em dia.

Mas não chega, a infância é curta e acho que com ela fica o amor incondicional que os filhos têm aos pais. A partir de cerca dos dez anos, temos que começar a merecer esse mesmo amor, já não é o não importa o quê. Já não é garantido. E às vezes não é para sempre. Ao olhar para filhos de amigos e amigas que têm a mesma vida que eu, o amor está lá, mas a cumplicidade nem sempre, e por vezes o rancor de não terem tido lá os pais em certos momentos de suas vidas.

A última vez que abdiquei de uma carreira pela minha filha, apesar de tudo tive a certeza do meu caminho, desta vez é ligeiramente diferente porque ao contrário de quando engravidei, agora sei o que quero e a bagagem está mais pesada. De conhecimento e alguma sabedoria. Espero!

Eu quero estar sempre presente, como sempre estive apesar das viagens, mas quero estar para toda uma série de novas etapas que se avizinham. Quero garantir que aquele pedaço do seu coração que é meu nunca perderá terreno e que é meu para sempre, tal como o meu amor é seu incondicionalmente. Para a frente é que é caminho, dizem os nosso ditados populares e com toda a razão. Torçam por mim, porque isto de dar saltos de Fé não é tão fácil como parece!!