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Ter 16 anos não é fácil

Ter 16 anos não é fácil, já todos passámos por isso. É o nosso corpo que muda, a nossa mente que evolui mas que também às vezes não colabora com a nossa vontade. Uns dias acordamos com uma felicidade enorme e outros choramos por tudo e por nada. É um momento de escolhas escolares também, dos amiguinhos, das paixonetas, enfim, ser adolescente não é fácil, nunca foi para ninguém. 

A nossa Marina é uma boa menina, não temos razão de queixa. Ajuda-nos nas lides domésticas sem resmungar, é uma miúda tranquila na escola. Não nos dá problemas de maior importância, salvo seja quando se trata de estudar. É mandriona e nós já sabemos que temos de apertar com ela, ponto final. Neste momento tem de decidir o rumo para o 11° ano, como já disse algures, a Filhota M. entrou na Escola de Artes, mas agora chegou a hora de decidir que especialidade quer seguir. Todos os dias nos pergunta se seria melhor escolher Design&Comunicação ou Projecto&Tecnologia. É difícil para nós como pais conseguir responder, pois sabemos o quão é complicado o mercado de trabalho. Se por um lado pensamos logo numa área onde tenha mais saída, por motivos óbvios, por outro pensamos na nossa filha, nas aptidões que tem, o que combinaria com ela e a sua forma de estar/ser na vida.

Ontem disse-nos : " Eu quero ser ilustradora, mas este ano as minhas notas nesse módulo foram muito fracas, será que devo mesmo seguir por aí? Ou escolho o módulo onde tive as melhores notas?"

Isto reflete, a meu ver, algo mau. Tão cedo a sociedade pedir-lhes para decidir o que querem ser. Será que não poderiam querer ser em primeiro adolescentes? É tão difícil gerir emoções nesta idade e ainda lhes pedem para "decidir" a profissão que querem. Um rumo de vida. Bolas, às vezes andamos uma vida inteira às escuras, tateando, à procura de um caminho, de uma luz, quanto mais aos 16 anos! Tentamos da melhor maneira guiá-la neste momento de algumas incertezas, tentando lhe dizer que antes de tudo, que se preocupe em passar de ano e sobretudo em ser feliz. Ser feliz, já é um trabalho em si, já é um rumo de vida mais que suficiente, não é verdade?