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Por vezes amamentar dói

Foi ainda durante a gravidez que comecei a imaginar o momento em que iria ter o meu bebé nos braços e amamenta-lo. Era muito mais do que uma refeição, era um acto de amor. Aquele momento iria ser só nosso!
Imaginei o meu bebé no colo, com os olhos pequeninos a olhar para mim e na minha cabeça só havia amor e harmonia entre mãe e filho e eu estava desejosa por vivê-lo!

Nunca ninguém me disse que podia não correr bem...sangrar, ferir dolorosamente! Ninguém me disse que aquele momento podia não ser de prazer mas sim de dor...E eu não estava preparada para esta troca.
O relógio era meu inimigo. A rotina de aquecer a mama, amamentar cerca de 1h, fazer frio, por a arrotar, trocar fralda e daí a cerca de 1h voltar a repetir de novo era angustiante. Quando o relógio me dizia que tinha que começar de novo apetecia-me chorar. Ia haver mais dor, mais sangue e mais desconforto e ainda não tinha recuperado da última vez...

Procurei ajuda, comprei todo um kit de alívio, mas não consegui melhorar, nem ouvir as vozes que me diziam que o melhor era parar!

Mesmo assim o momento era nosso e aqueles olhinhos a olhar os meus e mãozinhas pequeninas no meu peito faziam-me sempre tentar uma última vez. O amor vencia-me sempre!

Foram 5 meses nisto. Não consegui desistir. A minha teimosia fez-me aguentar o que hoje acho ter sido desnecessário. Acho que desfrutei menos do meu filho porque ele era muitas vezes sinónimo de dor. Queria-o sempre juntinho de mim, não me cansava de olhar para ele e cada vez que o fazia apaixonava-me (ainda) mais um bocadinho, mas na hora da maminha apetecia-me fugir!

O nosso leite é o melhor alimento para os nossos filhos. É nisso que acredito, foi isso que me disseram mil e uma vezes e foi disso que não me quis esquecer. Não sei se terei mais filhos mas se tiver vou querer amamentar na mesma e esperar que desta vez tudo corra bem, no entanto, se não correr, vou tentar lembrar-me que as vezes é preciso saber parar sem que isso seja sinónimo de menos amor...