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Os filhos mudam tudo

"Os filhos mudam tudo". 

"Parecendo difícil também não é nada fácil".
Ter dois filhos pequenos com idades próximas não é propriamente fácil. É compensador, sim, vê-los descobrirem-se e vivenciarem experiências juntos desde cedo mas, enquanto Pais, por vezes, é um verdadeiro descalabro :-(
Se até aos 12m não é fácil, a partir desta idade, com o sobressair da personalidade e o temperamento habitual do bebé, as coisas tornam-se visivelmente mais complicadas, quer física quer psicologicamente. 
Para mim, a situação crítica é, sem dúvida, nos momentos de maior stress como o ir trabalhar, estarem doentes ou a fazer birras medonhas. Queremos que tudo seja feito à nossa maneira, porque somos mães e "a Mãe é que sabe", queremos calma e não queremos certamente ter alguém a "mandar postas de pescada" e a fazer perguntas enquanto os miúdos gritam, como se fosse audível e perceptível. Muitas vezes, a presencia do Pai chega a ser factor de destabilização para a Mãe, para que tudo flua normalmente. Quando o nosso Pai não está, há menos complicações mas, também há muito mais exigência da minha pessoa, o que, a maior parte das vezes, me "arruma" por completo. 
Com o segundo filho, aí é que a dinâmica do casal, que ainda não tinha recuperado da dinâmica do filho único,  se altera, e nós, Pais-Tarefo-Rotineiros, se conseguirmos encontrarmo-nos na cama, à mesma hora, só se for com um a roncar e o outro a deitar-se fora de horas pois, de resto, somos dois seres com horários e actividades completamente diferentes, dentro da mesma casa. Quando finalmente conseguimos conversar ou namorar, ou um já caiu para o lado a dormir (normalmente sou eu) ou, então, já não nos podemos ver (nem ouvir!) pois já nos pegámos à discussão anteriormente.


"Os filhos mudam tudo". Este é o resultado de conversa entre amigas. A verdade é que, enquanto Mães, mudam, definitivamente para melhor mas, enquanto Mulheres/Esposas/Namoridas, mudam, substancialmente, para pior. É um facto. Se assim não acontece há, com certeza, algo  por detrás que não permite a falha em certas situações e, tudo isto, aliado às chatices do trabalho, aos hobbies diferenciados mas, acima de tudo, à noção de prioridade inerente a cada um, ajudam a que a relação fique simplesmente suspensa. As minhas prioridades enquanto mãe e enquanto mulher são exatamente as mesmas. Não se dissociam. Já as dos pais-maridos, não. Concordem, ou não, esta é a minha visão e a experiência que, por sinal, é a realidade de 100% das minhas amigas.

Ter filhos "arrebenta" com o casal. Não há tempo para mimos, para encontros, para carinhos, para atenção mínima. E, quando há algum tempo, o efeito bola de neve que tem como consequência o acomodar da situação. Liga-se a Tv, agarra-se o smart phone e, a vida cibernautica, é muito mais interessante. Perde-se a cumplicidade, a espontaneidade, a intimidade e dá-se lugar à rabugice, ás respostas tortas, à intolerância. Deixamos de nos conseguir rever no "outro", de nos realizar no outro e passamos a dar prioridade aos filhos. Acredito plenamente que a capacidade multitasking que está intrínseca ao papel de Mãe provoca, inevitavelmente esta diferente gestão de prioridades. O que me apercebo cada vez mais é que há uns captam perfeitamente esta capacidade e "encostam-se à sombra da bananeira" para que tudo lhes apareça feito, há outros que até dão uma "mãozinha ou outra" para que refilemos o mínimo possível, pois gostam é de brincar com eles e ainda há outros que ajudam imenso e conseguem dividir tarefas... (será que há mesmo?!)
A vida de Mãe não é fácil e já sabíamos disso mas, os maridos não o sabem, no entanto, os Pais dos nossos filhos devem, certamente, desconfiar.
Porque é que, da mesma forma que nos foi dada a incrível "multitasking function", não foi dada, os nossos mais-que-tudo a função  "ouvidos selectivos" ou, se foi, apenas a utilizam quando bem entendem? Seria certamente mais útil e, claramente, que sobressaiam grandes benefícios disso. Talvez, se se colocassem no nosso lugar, muito provavelmente, a vida a dois seria completamente diferente. E, aí, enquanto casal, ter filhos era a melhor coisa do mundo. `Bora juntar duas funções úteis e ir "desta para melhor"?!