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O homem que tenho ao meu lado

Este é um texto que dedico ao meu marido. Porque eu não poderia estar a escrever este texto se ele não fosse o pai e companheiro que tem sido até hoje. Ele é o principal responsável por eu ser a pessoa que hoje sou, como mãe e mulher.

Conheci o meu marido há cerca de seis anos, e não há dúvida, que desde então, estes foram os melhores anos da minha vida. Foi com ele que o meu sonho de criar uma família se tornou real. Começamos a namorar ainda estávamos em Lisboa e passado um ano fomos viver juntos, mais um ano volvido e decidimos engravidar, e portanto embarcar na maior viagem das nossas vidas, também a mais transformadora. Quando a nossa bebé completou um ano, surgiu uma oportunidade de trabalho para o João, em Braga, de onde sou natural. A decisão foi fácil para ele, era uma oportunidade aliciante com a vantagem de podermos voltar às nossas raízes e estarmos perto da família e dos nossos amigos. Já eu estava completamente infeliz e saturada daqueles últimos meses depois de voltar da licença de maternidade, o ritmo de trabalho era extremamente exigente, confesso que o facto de não estar a conseguir usufruir do horário reduzido me deixava de rastos e ainda mais revoltada. A par disto, eu detestava realmente o meu trabalho e já tinha pensado mudar. Foi com o apoio incondicional do João que essa utopia passou a ser uma realidade, e decidimos então fazer as malas, despedir-me do meu emprego e abraçar um novo projeto na minha vida. Foi uma decisão fácil na verdade, mas já depois de estarmos a viver em Braga, aquele nervoso miudinho por vezes corria-me nas entranhas e o medo do fracasso tomava conta de mim. Dei por mim a questionar vezes sem conta, se seria capaz de assumir uma responsabilidade tão grande como era aquela de criar o meu próprio emprego. Esse medo fez parte dos meus dias, durante meses a fio. Portanto foi um projeto que foi acontecendo, ao nosso ritmo, foi como uma gravidez que dura cerca de nove meses e eu nunca soube muito bem em que dia iria nascer este bebé. Acabei por engravidar da nossa segunda filha. E o João sempre comigo. Sem medo. De sorriso na boca. Afinal, a nossa família estava a crescer e isso era razão mais que suficiente para estarmos felizes. Sempre valorizei o João pela pessoa que é e por todo o apoio que me tem dado nesta nossa partilha de uma vida a dois, mas nunca refleti muito sobre isso. A verdade é que desde que me despedi do meu emprego em busca de me poder realizar profissionalmente noutra área, eu investi em formação, fizemos obras no nosso espaço para que ficasse um cantinho bem acolhedor e familiar para quem nos visitar se sentir em casa, fizemos compras, muitas compras disto e daquilo, praticamente todos os meses eu comprava livros, que me enriquecem em várias matérias, mas que também me roubam tempo. E o João continua aqui, do meu lado. Mesmo quando já não consigo mais desdobrar-me e multiplicar-me para poder estar em todas as frentes, a fazer o que tenho de fazer, cuidar das minhas filhas, manter a casa arrumada (porque arrumar já é uma utopia!), ler artigos e livros, terminar trabalhos que vão ficando pendentes, estar com o João, só estar, sem lhe pedir para fazer novas funcionalidades no site, ou, para me fazer a encomenda de (mais) um livro.
Preciso de parar e refletir sobre o homem que tenho ao meu lado. O homem que casou comigo e abdicou da lua-de-mel, e de férias de Verão fora do país ou mesmo a Sul. Por falar nisso, foi um casamento muito pouco convencional, tal como nós. Casámos numa Terça-feira, no dia em que celebrávamos cinco anos de namoro, eu já estava grávida da nossa segunda filha, e foi numa manhã igual a tantas outras que casamos, disse “sim” com a minha filha mais velha a mamar, o que tornou aquele momento memorável. Passámos o resto do dia na praia e dado o investimento financeiro que o meu projeto acarretou, a lua-de-mel ficou adiada. E foi assim que casei com o homem da minha vida. O homem que me apoia em tudo. TUDO. Acho que está na hora, não de parar, porque não é de todo possível, mas de abrandar o ritmo, de reorganizar os meus dias, de encontrar alguma paz e silêncio no fim do nosso dia, para que nos possamos olhar e abraçar. Porque somos pais e temos duas filhas que nos enchem o coração de amor, mas também somos um casal que precisa de se cuidar e amar.
E é por isso que escrevo sobre ele. Porque ele viu o quão infeliz eu era. E deu-me todo o suporte que foi preciso para me concretizar a nível profissional e pessoal. Também ele se desdobrou para que eu pudesse voltar a estudar e sempre o fez com um sorriso na cara.

Não seria tão feliz se não tivesse mudado o rumo da minha vida, e em parte, devo-lhe isso. Como mãe de duas meninas com idades relativamente próximas, e dado que amamento ambas, é imprescindível ter este suporte contínuo tanto de apoio como de compreensão por parte dele. Eu quero ser esta mãe que se dedica, que se entrega, que aprende, que erra e pede desculpa. Quero que as minhas filhas cresçam saudáveis, felizes, com confiança nelas próprias e envoltas numa nuvem de sonhos. E tenho de agradecer ao meu marido porque desta vez não é apenas uma quimera sobre a qual me deito todos os dias, eu acordei do sonho e estou a vivê-lo. 

Que melhor exemplo poderão ter as nossas filhas, para as suas vidas?