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Memnoon* ou mudando a forma como damos (e pedimos)

( uma tradução livre de Marshall Rosenberg )
Sempre que pedires algo a alguém, sobretudo a uma pessoa mais próxima usa um cartão.

Nele, simplesmente, escreve o teu pedido e a recomendação POR FAVOR FAZ O QUE TE PEÇO, se, e só se, o conseguires fazer com a alegria com que uma criança pequena alimenta um pato esfomeado.

No verso do cartão acrescenta: Por favor, não faças o que te peço se o fizeres por medo de ser punido se não o fizeres. Por favor não faças o que te peço se for para comprar o meu amor, ou seja, na esperança que eu te ame mais por isso. Não faças o que te peço se te sentires culpado por não o fazer. Não faças o que te peço se te sentires envergonhado por fazê-lo. E não faças o que te peço se o fizeres com alguma sensação de dever ou obrigação.

Assim, aumentas a consciência de todos os envolvidos sobre dar apenas a partir da energia memnoon*.

A vida é muito curta para dar a partir de qualquer outra energia. É, no entanto, um conceito radical porque, para as sociedades de dominação funcionarem, tem de existir um pequeno grupo a dominar muitos e nesta dinâmica não cabe o conceito memnoon.

A única forma de dominar pessoas é tê-las a temer castigos e a fazer coisas para obter recompensas.

Mas, sempre que damos algo que não queremos ou que não temos total vontade de dar, criamos um pouco de ressentimento , desgastamos a nossa verdade, a auto estima e a relação com a pessoa em causa.

Por isso, acreditar em dar apenas a partir da energia memnoon pode criar uma revolução: no espirito de cada um e no mundo em que todos vivemos.” M.R.

E o que tem isto a ver com crianças? Tudo. Se a família for um território onde se pratica e respeita a energia memnoon, se esta for a única forma de dar que conhecem, a que assistem, cada família está a fazer a sua própria revolução.

Para isso é preciso esquecermos que educar é criar “meninos bem comportados”. É preciso permitir que as crianças expressem os seus limites, as suas emoções, as suas vontades.

É preciso não nos sentirmos ameaçados com comportamentos desafiantes. É preciso querermos crescer na nossa humanidade e consciência.

É preciso sabermos respeitar as nossas necessidades e empatizar com as necessidades do outro. É preciso dar sempre a partir do amor e permitirmos ( a nós e aos outros!) liberdade para não dar.

É preciso que um Sim - seja a quem for -  seja sempre um sim a nós próprios.


*palavra hebraica que significa: “o pedido que abençoa a pessoa a quem o pedimos”