0

Equlíbrio Interior

O Filme Slidding Doors, filme que eu vi há bastantes anos atrás quando estreou, e que já nessa altura se encheu de significado para mim. Momentos decisivos, momentos que podem marcar a diferença no nosso futuro garantidamente, independentemente de se acreditar em destino ou não e de podermos ir dar ao mesmo desfecho por caminhos completamente diferentes, baseados no tal momento decisivo. 
No fundo, o que sinto é que durante tanto tempo estive adormecida sempre sonhando com o agir, mas nunca agindo verdadeiramente, por medo, por insegurança, por não saber quem era. E quando refiro isto não quero dizer que fosse uma pessoa sem iniciativa ou amorfa, pelo contrário, sempre bastante participativa e trabalhadora, mas para o exterior. O interior estava envolto numa muralha que foi crescendo, crescendo, sufocando e afastando-me de outros e de mim própria. 
Condicionada pela falta de auto-estima, auto-confiança, amor próprio, medo e muita raiva, vitimizando-me e culpando outros, mas nunca desistindo de continuar, de crescer. Na verdade sentia-me verdadeiramente só, mesmo que acompanhada e cheia de gente à volta. Queria mudar os outros e exigia-lhes isso, mas ainda não tinha começado a mudar por dentro. Se os outros não mudavam e eu me desiludia e magoava, afastava-me e evitando o conflito pensava resolver a situação. Mas tudo ficava cá dentro a corroer o corpo e a alma. 
Não tendo o verdadeiro equilíbrio interior, nem me sentindo bem comigo própria, nunca poderia desbloquear. Culpas, ressentimentos, julgamentos, chantagens emocionais, falta de comunicação e convenções sociais, conceitos e comportamentos que me foram ensinados e dados como exemplo, os quais absorvi e incorporei como meus, mas que não fazendo parte de mim nublaram a minha essência (que continua cá) e nunca me permitiram estar em verdade comigo própria, em plenitude, aceitando-me e amando-me. É nesse processo maravilhoso de descoberta que estou e é gratificante, e motivo de orgulho, ser capaz de começar a percecionar e assumir a verdadeira Catarina. Momentos decisivos existem a toda a outra, por mais insignificantes que possam parecer, mas passa por cada um respirar e sentir o momento, para de forma mais honesta consigo próprio agir em verdade!
Os momentos decisivos estão relacionados com o livre arbítrio. A não ser em situações extremas em que o livre arbítrio não pode ser aplicado no seu pleno, ele existe sempre. Só a falta dessa consciência ou a vitimização é que fazem que a pessoa pense que não tem opção ou que está constantemente à mercê da vontade dos outros. A consciencialização do livre arbítrio passa pela responsabilidade das decisões e das consequências dessas decisões. E é bom eu cada vez mais sentir isso como meu, como a minha vontade, respeitando-me a mim própria e não me anulando.
Podemos escolher entre viver a vida ou viver o destino. Tomar decisões ou pôr de lado a responsabilidade! O que queria, o que não queria, o que gostava, o que não gostava, o que me entusiasmava ou que me dava o mínimo de prazer, eram algumas das questões que me comecei a fazer e senti-me perdida quando não lhes soube dar resposta! Comecei a trabalhar e tem sido um trabalho contínuo, com ajuda e de muita integração, mudança de mentalidades e comportamentos. Mas tudo isso leva tempo. O melhor de tudo é quando algo acontece naturalmente e é sentido em verdade com a minha essência. Aí tomo consciência que a integração foi real e que isso se reflete na minha vida e na forma como me faz sentir! Traz-me felicidade e sensação de bem estar, em paz e harmonia! Mesmo que haja decisões no dia a dia que não sejam fáceis e que sejam custosas a nível emocional, é bom ver que as consigo enfrentar, intervir, ter uma opinião, e agir para que algo mude, tomando efetiva consciência do que realmente faz falta ou do que já se tornou um hábito.