0

O futuro dos nossos filhos



Os filhos tão cedo são pequeninos como depressa se tornam grandes. Vivemos numa sociedade frenética em que se projeta o futuro dos filhos no presente. Obrigamo-los por vezes a correr sem oportunidade para parar e ser crianças, com horários de mil atividades para que sejam os melhores a tudo e que saibam sobre tudo. Em conversa de café já “quase” me senti mal porque na altura as atividades do meu filho mais velho, Martim, se resumiam à natação e ao inglês. O resto do tempo disponível era dele e nosso (saudades). Nessas conversas de mães ouve-se muitas vezes “o meu filho já lê aos 5”; “o meu filho já sabe e faz”; até já ouvi crianças recitarem a tabuada aos 2 anos e a fórmula resolvente aos 4. Muitos pais exigem os “excelentes” e os “quadros de honra” aspirando um futuro promissor aos seus filhos, o que quer que seja que isso signifique. Os filhos não são os troféus que não conseguimos obter! Julgo que é necessário trabalhar as nossas crianças para o esforço, curiosidade mas também para lidar com o fracasso e serem criativas. Esta aptidão é o molde para conseguirem em situações de fracasso flexibilizar-se para o sucesso e isso têm que ser elas autonomamente a encontrar! Crianças felizes saberão ser assim! Serão crianças atentas ao que as rodeiam porque sabem amar e valorizar, terão espaço para olhar o mundo à sua volta e vão querer assimilá-lo, percebê-lo, vão querer aprender! 

Um dia nas observações das notas escolares do Martim constava apenas que era feliz e isso para mim foi mais contemplativo que as notas que estavam na pauta. No meu tempo ou na minha terra, um bom aluno teria que ser médico. Senti esta pressão e não se podia viver da criatividade, das artes pois isso era para sonhadores. Aos meus filhos quero transmitir que de tudo se pode viver se formos bons no que fizermos. Isso exige empenho, uma entrega com alma, com coração. Isso é uma escolha dele! 

No meu entender, a idade infantil é obrigatória para se conhecerem a eles próprios, para verem o mundo, conhecerem os seus interesses e se edificarem-se como pessoas. Nestes alicerces estão os valores que para mim são fundamentais! 

Tenho esperança que a vitória recente da Luísa e do Salvador no festival da canção, venha também salvar a mentalidade dos pais. Daqueles que dizem que “não se vive da música” ou das artes ou do que quer que seja. Das mães que no futuro, nas suas conversas não se envergonhem de dizer que o seu filho canta nas ruas mas que se sintam orgulhosas porque o seu filho é um sonhador e reinventa-se todos os dias para fazer cada vez melhor, tendo a coragem de não desistir dos seus objetivos. O caminho faz-se caminhando e é importante que os nossos filhos cresçam com as quedas, com os obstáculos e aprendam a lidar com o insucesso. Talvez um dia venham a ganhar o festival da eurovisão. Talvez não, mas o importante é ter a coragem de seguir e lutar por um sentido de vida. 

Aos meus filhos desejo que sonhem depois do sono pois o “sonho comanda a vida”! E claro, sejam humildes e felizes!