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Aprender a gerir as ausências da Mãe

Tal como eu, enquanto mãe, tenho de aprender a lidar com as ausências a que o meu trabalho me obriga, também as minhas filhas estão a fazer a mesma aprendizagem.

Por um lado, sossega-me pensar que esta é a única realidade que conhecem. Por outro, claro que várias vezes me questiono se o facto de não estar presente de uma forma constante as vai de alguma forma traumatizar e interferir negativamente sobre a sua construção enquanto pessoa. Um dos valores que pretendo transmitir às minhas filhas é a importância da nossa independência em relação aos outros, mas  além disso também quero que sejam pessoas seguras e confiantes. Por isso é importante que as minhas ausências não se tornem num motivo para lhes criar inseguranças mas sim que sejam apenas e só uma rotina, baseada na qual elas vivem as suas infâncias. 

Para que esta nossa realidade seja bem tolerada por elas, é essencial o apoio do resto da família, em particular do pai. Todas as crianças precisam de uma referência parental, por isso se houver a ausência de um dos pais é muito importante que o outro esteja presente. Felizmente o meu marido tem um emprego com horários regulares que, normalmente, lhe permitem estar em casa todos os dias. Essa estabilidade, consigo perceber, é muito importante para as minhas filhas. Claro está que o resto da família também tem um papel importante, nomeadamente os avós, tios... Mas no nosso caso não podemos contar com eles na rotina do dia a dia devido à distância geográfica, pelo que o pai surge ainda mais como o pilar deste equilíbrio familiar.

Nestes quase 6 anos da E. penso que tem funcionado a forma como abordo as minhas ausências: basicamente procuro relativizar e mesmo desvalorizar essas mesmas ausências. Digo-lhe sempre a verdade em relação ao número de dias que vou estar fora de casa, quando estou em casa nas folgas só falo acerca do assunto se ela me perguntar, não prolongo as despedidas e não abdico de falar com ela pela internet. 

No caso da A. que só completa 2 anos em Julho, ainda é muito pequena para se aperceber que a mãe não está sempre presente. Por enquanto, não existem dramas, choros, quando temos conversas via Skype tudo corre bem e não noto diferença no trato quando regresso a casa.

O mais importante é agirmos da forma mais natural e verdadeira perante os filhos. Encararmos as nossas ausências como algo normal e que faz parte da rotina familiar é meio caminho andado para que eles também o façam. Para o resto do caminho contamos com o apoio de quem nos rodeia, a família, os amigos, a escola. O colo e o carinho não precisam de ser exclusivos da mãe!