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A Licença de Maternidade vai acabar...


Nasceste, e eu só pensei, agora vamos continuar a desfrutar toda esta vida cá fora, juntas! Juntas já éramos quando estavas na barriga, mas agora é diferente, tem outras cores, sons mais intensos, outros sabores, outros cheiros, novas pessoas, novos locais, tudo novo e diferente.
Agarrei-te em meus braços com amor, com estranheza e com um olhar de análise e fui-te conhecendo. Enquanto os  dias iam passando eu ia "morrendo" de medo de me afastar de ti. Acredita que não me imaginava sem ti um segundo, pronto, não exagero, limite de 30 minutos... A sério, não me imaginava afastar de ti para regressar ao trabalho.
Tive que fazer uma "ginástica mental" para aproveitar cada segundinho contigo, aproveitar todos os momentos de riso, brincadeira, choro que tu me davas, e não pensar em contagem decrescente para o dia que me ia separar de ti (porque assim tinha de ser, uma Mãe nunca devia passar por isto).
Passamos por uma "separação" brusca quando nasceste, foi de cesariana e não esperávamos, logo aí sentimos as duas e agora pensar nesta... Mas eu dizia um mantra "eu consigo, eu sou forte, tem que ser...", mas o meu interior só questionava "mas porquê? porquê que tem que ser? porquê que não posso estar com quem mais precisa de mim?..."

É verdade filha, foste e és um bebé de colo, amor, contato físico e o meu colo é o teu predileto, tinha as tuas horas de choro, as tuas noites mal dormidas e eu nem queria imaginar quando regressasse a rotina de acordar cedo.

Ouvia de tudo, "vai fazer-te bem sair um pouco desta rotina, deste mundo" até podia ser, mas não era sair seis horas deste mundo, que eu iria acalmar o meu coração de Mãe.
Fomos começando nesta nova rotina devagar, tu ias ter comigo a meio da manhã para seres amamentada (directamente da fonte), e assim fomos fazendo, para colmatar as saudades. Fui aceitando, fui simplificando e tu foste cedendo e estavas bem com quem estavas e o meu coração estava seguro. Não foi dramático nem de choque. Acho que tive aquele tempo para me mentalizar e fomos vivendo assim. Só para que saibas que para ser mãe passamos por muitos "testes" emocionais, pessoais e podia ter feito tudo diferente, não o fiz, mas sei que estavas bem. 

Esta carta de mãe para filha em jeito de desabafo e perdão, é também para todas as Mães que passam por este sentimento, que é tão forte, ambíguo, delicado, contraditório e nem sempre fácil de lidar. Qualquer uma de nós, opta pelas suas escolhas e todas são válidas, quando de um filho se trata!
Muita coragem e um sorriso sempre.