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Um valente SUSTO!


Ainda há pouco tempo comentava que, quando se tem filhos, o crescimento e as dificuldades surgem por etapas. Primeiro, aparece a dificuldade na amamentação (pelo menos para mim, claro): pega bem, pega mal, a sucção não é de forma correta, engasga-se, chora, mama muito, mama pouco, faz ferida, afinal mama bem, já passou! Depois vêm as cólicas, massaja a barriga, dá banhos quentes, passa o óleo de amêndoas doces, experimenta meio mundo de soluções no mercado e finalmente o medicamento homeopático funciona! Já está controlado! De seguida vêm as noites mal dormidas, basta ficar constipada ou mudar de ambiente e o sono da C desregula! Andámos meses a tentar acertar a rotina para que tudo voltasse a ser como era, não foi nada fácil mas, felizmente, conseguimos!
O tempo foi passando e, fora estes acontecimentos, não tivemos nenhum episódio que se revelasse de extrema dificuldade. Agora que chegou aos 18 meses (no mês passado), notamos que a C deu um pulo gigante, não tanto em termos de tamanho mas em termos sociais e cognitivos. Fala muito (mesmo muito!) e esforça-se diariamente por alargar o leque de vocabulário, repetindo tudo o que dizemos. Já tenta fazer frases curtas, agradece e pede "se faz favor". Sabe o nome dos pais, dos avós e dos amigos e familiares mais próximos e canta, canta imenso! Dá gosto ver que se interessa por tudo e que é muito curiosa mas sabemos que esta curiosidade também acarreta responsabilidades nossas: em ensinar-lhe mas sobretudo mostrar-lhe como são as coisas e como se deve agir perante determinadas situações. Sinto que, a partir de agora, estamos a educar verdadeiramente e confesso que isso me assusta. 
Até agora, a C frustrava-se com o "não" e chorava muitas vezes. Estes episódios felizmente duravam pouco e tentávamos explicar-lhe a razão do "não". Acalmava-se passados uns minutos. Esta última semana a C mudou um bocadinho e, em vez de chorar porque não cedemos ao que quer, continua a tentar. Tem, por isso, tentado experimentar-nos. Começou por subir e andar por cima do sofá, mexer em coisas que não devia, bater com a colher no prato à hora da refeição.... Hoje, decidiu ir um bocadinho mais longe e fugiu no parque de estacionamento da CUF. O carro estava estacionado contra uma parede e abri a porta do passageiro para colocar coisas antes de a sentar no banco de trás. Como ficou com a passagem bloqueada de lado (com o outro carro), à frente (com a porta aberta) e atrás (com a parede), achei mesmo que não pudesse haver perigo...e, numa fracção de segundos, escapou-se e desatou a correr pelo parque de estacionamento a fora. Sei que o meu coração congelou, como se naqueles breves minutos que demorei a apanhá-la não houvesse batimentos. Só pensava que me pudesse fugir de vez, que nunca mais a ia ver ou que pudesse ser colhida por um carro...meu Deus, que aperto! 
Quando a agarrei confesso que tive vontade de lhe dar uma palmada pois, durante todo aquele tempo (que não foi mais de 1 minuto mas que me pareceu uma vida!) estive a chamá-la e ela ignorou. Depois pensei que palmadas não iam servir de nada, apenas para aliviar a minha zanga. Enfim, baixei-me ao nível dos olhos dela e disse-lhe para nunca mais fazer aquilo, para vir quando eu a chamo, que é um sítio cheio de carros e tudo mais. Chorou durante uns 5 minutos porque percebeu (acho eu) que fiquei zangada, triste com ela. Mas, sinceramente, não sei se é assim que é suposto, se lá ficou alguma coisa na cabeça ou se foi só emoção do momento.