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Sra. Doutora... fica sem intervalo!


Estive num Congresso durante dois dias. Fui eu que decidi ir porque os temas me interessavam. Estive sentada numa sala durante 7 horas. Os intervenientes mudaram de hora a hora, por isso os temas foram variando. As sessões tiveram dois intervalos de manhã e dois à tarde. Cada um deles de 20 minutos e com coffee-break incluído. Ouvi com atenção alguns temas, noutros "desliguei". Vi muita gente a conversar com o parceiro do lado, outros ao telemóvel e alguns mesmo de olhos fechados (a meditar ou a dormir?). Alguns saíam a meio das sessões, outros conseguiram ficar até ao fim. "São muitas horas sentado". "Estava a ser uma seca".
Eram adultos.



Não ouvi nenhum dos speakers ou dos presidentes de mesa a dizer: o sr. doutor ali atrás... esteve todo o congresso desatento e agitado. Está de castigo. No intervalo fica dentro da sala. Não pode sair para conversar com os colegas nem para tomar o coffee-break (e já agora pode escrever 20 vezes no caderno: vou ouvir todos os intervenientes com atenção).

Pois...

A maior parte das crianças passam cerca de oito horas na escola, a maior parte delas sentados. Com temas que não escolheram, com o mesmo professor ou com vários, com aulas que chegam a ter 2 horas seguidas. Não podem pegar no telemóvel, sair a meio da aula, dormir e eventualmente falar com os parceiros do lado. Idealmente têm que estar 100% atentos e quietos. São crianças.

Sei que "faz parte" da escola...
Também "faz parte" da maior parte das escolas castigar os meninos irrequietos (Sim, os que têm energia para gastar, os que precisam de se expressar, os que têm dificuldade em estar sentados tanto tempo, os que têm dificuldade de concentração, os que gostariam de estar a aprender outra coisa... os que simplesmente têm comportamento de criança!) com uma "não ida ao recreio". Recreio esse que seria eventualmente a única oportunidade do dia para se mexerem, saltar, jogar, conversar, expressar-se.
Não consigo ser indiferente a isto. 


Por Vanda de Sousa