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Despertar da feminilidade

Pedaços de mim...Novembro de 2010...

Identifico-me cada vez mais com o estar a sentir, de viver os momentos e as experiências, de estar no aqui e no agora, mas tenho a noção que nem sempre é fácil e normalmente não o consigo de forma plena. Por toda a formatação, comportamentos esperados, elemento racional (essencial, mas tantas vezes limitativo) e a fantasia constante, sinto que em vez de agir, de mudar e de sentir a experiência, me bloqueio e aprisiono, sendo invadida por um estado de confusão, insegurança e insatisfação.
Na verdade, a tomada de consciência dos sentimentos e das percepções individuais, sempre dependente do património pessoal, do património social e da interacção humana, será sempre única e nunca igual. O segredo estará em sentir essa singularidade, saber expressá-la e melhorá-la nos aspetos que continuam a limitar e a bloquear a minha evolução com crescimento. Errado é banalizar, e considerar que sei com certeza, o que se passa com outro alguém, mas posso ter consciência das minhas percepções e do significado que lhes dou, e igualmente posso arranjar maneiras de levar outros a terem a capacidade de tomar essa auto-consciência.
É-me fácil comunicar, cativar, marcar presença, contaminar ou entusiasmar, com genuinidade e espontaneidade, e gosto disso em mim, mas acaba por ser difícil a espontaneidade desprendida e descomplexada com o outro, principalmente se me é estranho, ou se me causou algum impacto ameaçador ou confrontativo, ou se é espelho de situações recentes nas quais me revejo e que quero ver ultrapassadas. Acredito em mim, tenho consciência do valor e do potencial, mas acabo por ser a minha própria barreira, de alguma maneira, ainda preocupada com o que os outros pensam de mim, com a sensação de aprisionamento a uma normalidade que aparentemente deveria fazer-me feliz mas que contrasta com a minha insatisfação.
Se posso sentir falta de coragem ou por norma fugir ao confronto, por outro lado, também ajo com base no instinto e na impulsividade, sem recear as consequências e sem olhar para trás. No fundo, tenho consciência que estou a aprender a lidar com os meus medos e os meus receios, identificando-os gradualmente, tentando eliminar os ressentimentos e as mágoas, a alimentar o amor e a amizade, tentando expressar o que preciso, e evitar que coisas por resolver se acumulem no meu interior.
Estou a aprender a libertar-me e a viver essa liberdade, com o objetivo de ser eu a despoletar os acontecimentos na minha vida e não o contrário (ser conduzida pelos acontecimentos).
Como mulher, tenho vindo a sentir o despertar da minha feminilidade e estou a adorar sentir e tirar prazer disso, mas também estou ciente de ter necessidade de a viver como ainda não a vivi, de sentir preenchimento e desejo. Quero viver em plenitude e em verdade com o que sinto, não deixando passar as oportunidades quando elas surgem.
A minha consciência diz que estou a tentar atingir um equilíbrio entre o emocional e o racional, para me sentir mais realizada emocionalmente e profissionalmente, identificando os aspetos essenciais que preciso mudar na minha vida.
Na prática, retenho que invisto na partilha e na entrega, de forma sentida e dedicada, mas ainda necessitando de alguma aceitação e validação. Esta entrega, quase invariavelmente, tem levado à retirada, por desilusão, por vulnerabilidade, por receio e auto-proteção, mas com grande dificuldade em ultrapassar as situações num tempo que se possa considerar normal, ou esperado.
Na verdade, o ideal seria um meio termo entre o tudo ou nada, mas confesso que tenho alguma insatisfação quanto ao estado “morno”, pelo menos no que respeita às relações.
Quando alguém, ou alguma coisa e evento me dizem muito, sinto e demonstro o entusiasmo correspondente. O contrário também acontece e não consigo disfarçar. 
Outra coisa que aprendi, foi que antes de querer mudar os outros tenho que trabalhar comigo e aprender a mudar o que me causa desequilíbrio, para poder ver as coisas com mais clareza e imparcialidade. Só assim, conseguirei verdadeiramente alterar as pequenas e as grandes coisas da minha vida.  

Quero sentir-me feliz e viver em verdade!