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O lado B da maternidade: aquilo que nunca ninguém me disse

O sonho de ser mãe vive comigo desde que me lembro. E, desde que me lembro, que tenho uma visão muito romanceada da vida, do mundo e das pessoas. Isso reflete-se na forma como conduzo a minha vida, reflete-se nas minhas decisões e, claro está, nas minhas desilusões também. E, se a vida me foi mostrando o lado mais obscuro dos meus “contos de fadas interiores”, também eu continuei a acreditar que, no meio de tudo isso, há sempre um amanhã melhor.

Quando entramos neste universo da maternidade, somos expostas a um leque variado de informações que, se por um lado nos põe a par das dificuldades inerentes à nossa nova condição de mães, por outro gera em nós uma onda de angústia e ansiedade pelo receio de não dar “conta do recado”. De facto, tudo o que fui lendo ou ouvindo sobre os mais variadíssimos temas da maternidade acabou por fazer sentido a partir do momento em que fui mãe. Foi e é, sem dúvida, um dos papéis mais difíceis e desafiantes que alguma vez assumi.

↦ Aceitei este desafio (ser mãe) que à partida já estava destinado a ser uma experiência desorganizadora, responsável por mudar toda a minha vida… mas nunca ninguém me disse que seria nesse momento que eu começaria realmente a viver.
↦ Sempre me disseram que passaria noites em claro e que a privação do sono seria desgastante. E assim foi… um cansaço sobre-humano. Mas nunca ninguém me disse que me iria querer perder nessas noites em branco para poder contemplar os meus filhos ou para me certificar que dormiam um sono tranquilo.
↦ Sempre me disseram que o cansaço seria uma das maiores dificuldades… mas nunca ninguém me disse que nos meus filhos encontraria a paz e a serenidade bem como a força e determinação que me move a cada dia.
↦ Sempre me disseram que ia sentir o tempo a fugir-me por entre os dedos e percebi agora que realmente o tempo não é nosso aliado e passa a uma velocidade vertiginosa. Mas nunca ninguém me disse que o tempo ia parar no momento em que carregasse e aconchegasse os meus filhos no meu peito.
↦ Sempre me disseram que veria a minha liberdade condicionada, mas nunca ninguém me disse que, sendo livre de escolher, eu escolheria sempre os meus filhos.
↦ Sempre me disseram que as rotinas e a vinda de um bebé alterariam a relação a dois… mas nunca ninguém me disse que, ao nascer um pai e uma mãe, nascia também o início de uma nova relação e a oportunidade de reescrever uma nova história.
↦ Sempre me disseram que ser mãe implicaria uma conciliação bastante difícil de diversas funções, entre a vida profissional e a “nova vida” familiar… mas nunca ninguém me disse que ser mãe me iria trazer a sensibilidade, a tolerância, a felicidade… e que isso me tornaria uma pessoa melhor, refletindo-se na minha forma de ser e de estar, a nível pessoal e profissional.
↦ Sempre me disseram que teria de fazer contas e reajustar o orçamento familiar mas nunca ninguém me disse que teria a maior riqueza e o tesouro mais valioso.
↦ Sempre me disseram que carregaria os meus bebés pouco tempo nos braços, mas nunca ninguém me disse que o carregaria a vida toda no coração.
↦ Sempre me disseram que a desordem, o caos e o barulho iriam fazer parte dos meus dias e que a minha vida ficaria virada do avesso… mas nunca ninguém me disse que o avesso poderia ser o meu lado certo!! Viva o lado B da maternidade!!