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Educar fora de Portugal


Podes educar os teus filhos com os teus princípios em qualquer parte do Mundo, disso não tenho dúvidas, mas se emigras com duas crianças com 6 e 9 anos é por vezes impossível seguires alguns hábitos que tinhas em Portugal e que em Espanha têm costumes bem diferentes. Falo da minha experiência pessoal e recente em Múrcia e partilho as minhas vivências e simples contrariedades mas que afinal para outras pessoas podem nem sequer existir.
A alimentação. É um tema que me preocupa, no colégio vão experimentando a ementa com comida espanhola e se não gostam pois comem mais ao jantar! Aqui sopa nem vê-la, de vez em quando lá aparece o gaspacho ou fidéus mas em casa continuam a ter à sua espera a bela sopa portuguesa feita por mim. Efeito positivo, pois nunca recebi tantos elogios como agora, “Mãe, que bons que estão estes bifes! “Adoro este bacalhau com natas! “Que delicia esta sopa!” Mais nada é continuar assim e fazer coração grande.

Outro tema que também me deixou muito surpreendida é não utilizarem a faca durante a refeição. Ora as minhas meninas lindas que em Portugal desde muito cedo foram educadas a comer com os talheres e eis que de repente afinal a faca não é facultada, por medo ou receio e com a desculpa que pode ser usada como “arma”. É discutível sim senhor mas quando explicas e educas que os talheres têm uma função e dás o exemplo em casa, crias uma rotina e a escola dá continuidade pois nem sei que diga ou que pense. Mas a verdade é aqui na região de Múrcia as crianças não comem com faca, nem na escola e nos restaurantes também têm sempre o cuidado de retirar. Efeito imediato e negativo, em casa desabituam-se e a faca em vez de ser utilizada pois que fica limpinha ao lado do prato. POIS MÃE BORA LÁ VOLTAR A EDUCAR!!!
Avaliação. Viva a transparência que temos em Portugal!
Aqui as notas são entregues a cada aluno num envelope fechado para entregar aos pais, tem a avaliação em cada disciplina e já está. Nada de afixar nas janelas da secretaria ou da biblioteca, isto porque para os espanhóis as notas são uma coisa muito privada. Cada um tem as suas e se quiseres comentar comenta mas nada de muito detalhe. Temos de respeitar é certo, mas na minha opinião penso que não existe falta de respeito em Portugal, existe sim uma comparação saudável e natural. É importante que exista competição mas com moderação e na realidade as aulas não são particulares, são em grupo e todos sabem quem são os melhores alunos e quem está com mais dificuldades. Em relação aos testes pois aqui não são entregues aos pais no final de cada período, são propriedade da escola e ao fim de 1 ano são destruídos. Que posso dizer, é que estamos aqui ao lado e somos muitos diferentes.
IDIOMA
Neste momento as minhas filhas já falam castelhano quase com a mesma rapidez que as outras crianças espanholas. É um orgulho, é também mérito da excelente professora que a Leonor teve em Portugal durante 5 meses e é normal porque as crianças absorvem tudo. A Beatriz com os seus 6 anos como já sente muita confiança neste novo idioma não fala, GRITA! Claro que depois vêm os “Olés” misturados com a conversação que temos os 4 em casa sempre em português e eis quando as vou buscar ao colégio e não conseguem “desligar”, as duas no carro e no meio do discurso em português já metem muitas palavras espanholas pelo meio. Pois agora vamos lá explicar a estas crianças que há 1 ano atrás o que queríamos é que aprendessem castelhano rapidamente, treinávamos em casa e agora afinal que se passa na cabeça desta mãe que diz “PODES FALAR PORTUGUÊS PARA A MÃE?!” Vamos lá entender as mães!

Quem disse que Educar é fácil? 
Olé!!!