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Caminhada no desenvolvimento pessoal


Pedaços de mim...Dezembro de 2010...

É muito curioso e interessante o que resulta em nós do processo de abertura de consciência, face à partilha de ideias e das vivências com os outros. O tomar consciência dos sentimentos, sensações corporais, fantasias e interpretações que uma imagem, um movimento, um olhar ou um toque tem em mim é simplesmente maravilhoso!
Não há nada como dizer o que sinto, na mais pura expressão de amor e carinho ou quando algo me incomoda perante outro alguém, porque os mal entendidos acontecem e uma vez instalados podem privar vivências irrecuperáveis. A comunicação corporal é um mundo, que está sempre presente em cada movimento e que tantas vezes me condiciona, ou lança sem medo! A maior parte das vezes nem é preciso falar para passar ao outro o sentimento e vontade contida em mim!
O cuidado no diálogo com o outro, no sentido da responsabilização do que cada um sente e perceciona, sem que isso tenha um impacto limitador na relação, é essencial. Gosto de conhecer e partilho com facilidade, com desejo que isso me faça chegar mais perto do outro e ponha o outro à vontade para partilhar o que quer. Por outro lado, também me faz aperceber que quanto mais dou, face a expetativas que poderão ser elevadas, o estrago emocional que daí pode resultar pode ser maior. O princípio será saber onde está o meio termo e tentar reger-me por aí, sem nunca me anular. Não quero perder esta minha característica de que gosto e, apesar de algumas desilusões, acho que o ganho da partilha é sempre maior. Sem projetar, quero melhorar o saber estar nalguns momentos, sem pressas, sem medos, estar em mim e viver o momento como sinto necessidade, sem correr atrás de ninguém, sem esperar aprovação ou aceitação. É-me muito difícil a nível físico e emocional retirar-me quando deixou de fazer sentido, e saber como fazê-lo com o menor estrago.
Considero vital VER e conhecer o meu verdadeiro eu, e abraçá-lo, no seu melhor e no estado menos positivo, aceitando, perdoando e seguindo em frente. É sempre importante ver e sentir verdadeiramente o que sou na relação com os outros. Quanto mais me conheço, mais tenho noção de como posso ou quero estar.
Tomar consciência de necessidades e características pessoais, na forma de comunicação e no trabalhar a relação, e ter a noção do impacto que os meus atos, palavras, expressão facial e corporal têm no outro, e qual o significado. Do ajuste criativo ao campo. No dar e receber. Ir mais a fundo! Não colocar o foco só em mim, mas no todo e na sua interação. E não acumular todo o peso da responsabilidade enquanto numa relação, porque se o outro não age ou se retira, essa é a sua decisão e responsabilidade, eu só poderei expressar-me e dar resposta às minhas necessidades, respeitando o meu limite e o do outro.
Sinto-me em integração de conceitos e revisão de características minhas, tomando consciência do quão benéfico ou limitativo isso pode ser nas relações, quaisquer que sejam. As relações são, e serão sempre, o meu barómetro para perceber o meu estado evolutivo em consciência, e a distância percorrida na minha caminhada de desenvolvimento pessoal.

Por Catarina Soares