0

Brinquedos de Género

Cá em casa só temos meninos e, por isso, sempre pensei que iria ficar com a casa cheia de bolas e carros mas a verdade é que não é bem assim!
O adolescente era um bebé de sofá. Gostava de jogos e brinquedos variados, mas, a partir do momento que começou a ler, sozinho aos 5 anos, tirando as pistas de Hot Wheels, queria material científico e livros, muito livros. Bolas nunca foi muito com ele…
O nosso N. também não é fã de bolas nem de carros. Adora tudo o que tenha a ver com cozinha … tem fogão, panelas, comida, pratos, máquina de pipocas, de gelados, de gomas, de cupcakes (que ele poupou para poder comprar) e adora usar e fazer-nos comer de forma imaginária.
O mais novo, que adorava carros e andava sempre de mochila com carrinhos atrás, declarou este ano que queria uma boneca. Adorou a casa da árvore da Heidi e do Pedro mas, com o dinheiro dos anos comprou a Ana. A Ana é nossa filha e ele cuida, quase sempre, bem dela. Dá-lhe mimo, deu-lhe biberão até uma colega na escola levar o biberão para casa e não o devolver, leva-a a passear e dá-lhe banho. Incrivelmente ainda ninguém lhe disse que aquilo é um brinquedo de menina e eu agradeço.
É tão fácil dividirmos os brinquedos em categoria menino/ menina e ainda hoje vi um folheto de uma conhecida cadeia de supermercados a fazer essa distinção e temos de parar com isso. É bom as crianças aprenderem que o lugar da mulher não é estar sozinha na cozinha ou que os pais também podem dar banho aos bebés, vesti-los e cuidar deles.

Se não permitirmos que os nossos filhos brinquem ao que querem com medo de serem gozados, que mensagem passamos? Sim, podemos preparar-nos para “bocas”. Mas podemos preparar uma resposta com tolerância: “Os pais também cuidam dos bebés!”; “Há grandes Chefs homens, não sabias?” e talvez assim possamos tornar este mundo melhor, mais tolerante e acima de tudo mais igual para homens ou mulheres.