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Amor Incondicional


Achamos óbvio que o nascimento de um filho nos leva a amá-lo incondicionalmente. Talvez por isso, a maioria das pessoas estranha, ou não percebe, que isso seja possível com um filho que não nasce de dentro de nós, embora admita de imediato que isso aconteça com um nascimento. Curiosamente, ninguém estranha que um pai ame tanto o seu filho como uma mãe, embora nunca o tenha tido dentro de si. De facto, os 9 meses de gravidez são para um pai o equivalente à espera de uma adopção para ambos. A diferença é que quando ele nasce ninguém pergunta: ama-lo como se fosse teu filho verdadeiro? Ama-lo muito, mas achas que é a mesma coisa? Para a maioria das pessoas que adoptam, os filhos são todos verdadeiros, e o amor é tão diferente quanto é o amor por duas pessoas diferentes.
A verdade é que tal como não é óbvio que todos possam amar os seus filhos de forma incondicional, também não é verdade de que exista um limite biológico para esse amor, ou de que ele dependa da biologia, pelo menos para algumas pessoas.
E é isso a adopção, amar os nossos filhos incondicionalmente, independentemente da forma ou da idade com que chegaram até nós, e daquilo que tenham vivido anteriormente.
Claro que, para a maioria das pessoas, esse amor não nasce instantaneamente, desde o momento em que o vemos, ou vemos uma foto. O amor é uma construção, e essa construção faz-se com um filho que adoptamos da mesma forma de que se faz com um filho que nos chegou por via biológica. O amor constrói-se e vai-se moldando à personalidade de cada um. E essa construção é um processo absolutamente maravilhoso!

Por isso, escusam de perguntar ou questionar algum pai ou mãe sobre o amor, ele existe para quem tem essa capacidade. E a verdade é que muitos de nós a temos, mesmo sem o sabermos.

Por Joana Mendonça