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A maternidade não é só amor e sorrisos

A maternidade trás muitas alegrias, dúvidas e incertezas de um futuro que ninguém adivinha. Mas trás o melhor do mundo ao nosso coração, à nossa vida. O Amor.
Aquela emoção que dificilmente conseguimos passar para o papel. Aquele sentimento que enche o coração, que nos completa e sem ele já nada faz sentido.
Mas a maternidade não é só amor e sorrisos.
A maternidade também é: 
Meses com andar de pato, mas nada disso importa porque sabemos que voltaremos a ter o nosso andar de volta. É ter a sensação que as nossas mamas vão explodir, mas será sempre por uma excelente causa.
Noites sem dormir, ora porque o nosso rebento come de duas em duas horas, ora porque tem febre, ora porque tem pesadelos ou mesmo porque a meio da noite lhe apetece enfiar-se no meio da nossa cama, de fininho e quando damos por nós estamos com um pé no meio da cara ou a levar uma cabeçada na barriga.
Um desejo enorme de poder fazer as necessidades tranquilamente sem qualquer tipo de interrupção. E sonhar tomar banho sem ouvir "mãaaaaaaaeeeeeeeee".
Demorar dez minutos para entrar ou sair do carro.
Não perceber a dificuldade em perder os quilos a mais, mesmo depois de ter que dar fim ao resto da torrada, da sandes ou do gelado que eles insistem em deixar por comer.
Ficar fã da Dra. Brinquedos porque simplesmente simplificou as nossas idas ao pediatra ou às vacinas. Recordar letras de músicas que se encontravam recalcadas na nossa mente.
Ter uma mala à Sport Billy, onde cabe tudo, incluindo pedras, paus, lenços ranhosos e restos de comida ou migalhas.
Ficar feliz com cocós.
Voltar a pensar em adjectivos, tempos verbais e nos balões que o João tem depois de ganhar da avó e de ter dado alguns aos amigos e à irmã. E ainda voltar a fazer contas no papel e esquecer que algum dia alguém inventou algo como uma máquina capaz de fazer contas por nós.
Chorar no primeiro dia de aulas e nos espectáculos da escola.
Ter brinquedos espalhados pela casa e nem darmos conta porque já fazem parte da decoração.
Ter a ilusão que consegues ver um filme sem interrupções.
É achar que ia conseguir escrever este artigo sem interrupções e após a interrupção do iogurte, da colher que servia para brincar, da mão que aparecia e desaparecia atrás da porta, dos bonecos da patrulha pata que desapareceram, do papel que é preciso para mostrar os desenhos que já sabe fazer e das manas que já fomos buscar à escola, percebemos que a maternidade é muito mais que tudo isto.

É algo que enche o nosso dia-a-dia, que cansa, que às vezes leva o nosso bom senso ao limite. Que mostra que somos mais resistentes e valentes do que algum dia imaginamos.