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A mãe que sei ser


Confesso, sou o tipo de mãe que se zanga. Digo-o despida de máscaras e sem querer enganar ninguém. Digo-o da forma mais sincera e genuína possível.
Às vezes deito-me com a sensação de que me zanguei vezes demais. E penso sobre isso.
Não me zango aos gritos {ainda que por vezes, poucas vezes, cada vez menos vezes, também grite}; zango-me com voz firme e olhar fixo.
Zango-me quando começam a ultrapassar os limites, os limites da nossa casa. Não deixo saltarem no sofá ou na cama; não gosto que corram pela casa ou que comecem com brincadeiras que não têm princípio, meio e fim. Não permito. Ponto. E é assim que me zango. Com um ponto parágrafo. Para não sobrar qualquer dúvida de que é não.
Mas à noite; ou quando estou a conduzir, sozinha no carro; ou ainda quando estou na cozinha, comigo e com o meu companheiro pensamento, penso se não deveria ser de outra forma. E chego até a sentir-me culpada por isso.
Começo a ter dúvidas acerca do tipo de mãe que sou. Questiono-me sobre as decisões que tomo. Tenho dúvidas. Acho que podia ser de outra maneira. Penso se as minhas filhas não quereriam que eu fosse outro tipo de mãe. Gostava de andar para a frente, muito lá para a frente, e que já adultas e eu muito velhinha me dissessem se fui boa mãe. Se não tivesse sido, podia alterar agora, no momento presente, o que de errado fiz ou disse. Gostava de poder saber, porque não consigo sentir de forma neutra, totalmente neutra.
Mas depois contra-ataco. Saio em minha defesa. Porque sou uma mãe preocupada. Interessada. Empenhada. Consciente. Carinhosa. Amorosa. Sou uma mãe que dá muitos beijos. Que tenta usar o sim em proporção com o não. Dou festas. Abraços. Cuido.

E acima de tudo, quero melhorar. E quero mudar a frequência com que me zango. E sim, aceito e assumo: sou a mãe que sei ser! Com todas as imperfeições que isto de ser mãe implica.

Por Irina Vaz Mestre