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A Mãe é Assistente de Bordo

Por um daqueles acasos da vida, calhou que me tornasse assistente de bordo. Ou hospedeira, denominação que já não se usa mas que nunca cai em desuso! 

Nunca foi algo que tivesse em mente, talvez quando tinha 5 ou 6 anos e todas queremos ser cabeleireiras, veterinárias ou hospedeiras, mas o meu percurso de vida para lá me encaminhou e eu aceitei de bom grado o desafio, que até hoje me continua a deixar feliz (uns dias mais, outros menos, como em tudo na vida) cada vez que entro fardada no avião. Claro está que o melhor destino é sempre Lisboa e que a melhor actividade no meu planeamento mensal são os Day Off!

Ser mãe não foi uma decisão muito pensada. Era algo natural na nossa caminhada conjunta enquanto casal, o passo que faltava dar. Era o que tinha de ser e com muito gosto, sim. Nunca foi algo que eu questionasse. Sim queria ser mãe, não, nunca pensei em não o ser. 
Tudo maravilhoso, com um único senão que faz toda a diferença: não poderia e não poderei ser uma mãe sempre presente. Pelo menos fisicamente, no sentido tradicional do que é ser uma mãe presente. Não estou todas as noites, não levo à escola todos os dias, não estou presente nos programas de fim-de-semana, não estou em todas as festas de Natal, aliás, não estou sequer no Natal propriamente dito. 

Se aprendemos a lidar com as ausências? Sim e não. Focando-me apenas no nosso ponto de vista, da mãe, temos de aprender a relativizar e a aceitar a ausência sob pena de nos tornarmos profundamente infelizes e de fazermos de uma parte significativa da nossa vida - o trabalho - uma caminhada para a infelicidade. Por outro lado, é impossível estar sozinha num quarto de hotel no Rio de Janeiro (por mais romântica que a ideia possa parecer), como estou agora, e não desejar estar em casa no meio do caos do final do dia, com banhos, jantares, birras e afins. 
Ser mãe não é um trabalho em part-time, não é uma tarefa com início, meio e fim. Mesmo com ausências, mesmo que não estejamos presentes todos os dias, mesmo que naqueles momentos-chave não possamos dizer "estou aqui!", nós mães sabemos que, nos nossos corações e na nossa cabeça, não estamos noutro sítio senão ao lado dos nossos filhos, mesmo para dar aquele miminho antes do "boa noite, dorme bem"! 
[CONTINUA]