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Tornar-me MÃE


"Olá Claudia como estás? Antes de mais muitos parabéns pela tua bebé (...), gostaria de te convidar para um novo projecto chamado MÃES.pt (...)"
E foi assim que a minha homónima me apresentou este espaço, onde várias mães partilham o seu gosto pela escrita.
Agarrei este desafio com toda a garra e, se por um lado estou em pulgas para que o site esteja online, por outro tenho medo de não corresponder às expectativas. Afinal de contas sou a mamã mais recente e ainda tenho taaaaaaaaaanto para aprender... mas pronto, vamos ver como a coisa corre :)
Se hoje faço parte do MÃES.pt foi porque há 3 anos decidi que estava na hora de o ser , só não sabia da luta física e psicológica que iria travar nos anos seguintes.
Quando fiz 28 anos abracei o meu instinto maternal e parei de tomar a pílula.
Começaram as tentativas despreocupadas, afinal eu tinha 28 e ele 31, não havia pressa, quando tivesse que acontecer, aconteceria.
O primeiro sinal de alarme foi a amenorreia após 3 meses sem tomar a pílula. Marquei uma consulta e o médico disse-me que era normal, disse que o meu corpo ainda se estava a habituar à não toma da pílula, que deveria esperar mais uns quantos meses até perfazer um ano e que só após esse período me deveria preocupar e procurar um especialista.
Não saí dessa consulta satisfeita... sempre confiei desconfiando e resolvi pedir uma segunda opinião médica...sabem o que vos digo? Confiem no vosso instinto! Sempre!
A médica fez-me um questionário interminável e a primeira desconfiança foi de SOP (Síndrome dos ovários poliquísticos) e passou-me medicação para provocar a menstruação...não apareceu.
Voltei à consulta e foram-me passadas análises, algumas muito específicas (hormonais), depois de me queixar de algum desconforto no peito e enxaquecas intermináveis (apesar de desde pequena sofrer de enxaquecas, estas poderiam ser um sintoma de um problema, nunca se sabe).
Assim que recebemos o resultado das análises fui também encaminhada para um endocrinologista especialista em fertilidade e doenças hormonais.  As análises confirmaram que havia um problema. A ressonância magnética à hipófise confirmou o nome e tamanho do problema...macroprolactinoma!

Tentei não entrar em pânico... era um tumor sim, mas benigno e estava a ser muito bem acompanhada. Tentei focar todas as minhas energias (sempre positivas) na cura.

Seguiram-se 2 anos, 2 anos de tentativas, de consultas, de análises, de exames, de medicação, de altos e baixos, de perguntas sem respostas, de resultados negativos, de pesquisas no Google e de infinita esperança. E eis que ao fim de 2 anos, o milagre da vida aconteceu! Depois da última consulta antes de recorrer à clínica de fertilidade, confirmei que a semente tinha sido plantada, e naquele momento eu soube que a nossa vida iria mudar para sempre, que a nossa felicidade iria ter um nome, que iríamos dar todo um novo sentido à nossa vida... e hoje 2 meses depois da Matilde ter nascido sabem o que vos digo? Tinha toda a razão!

Por Claudia Oliveira